24/11/2016 08h50
Advogados e estudantes alegam que prisões foram arbitrárias
Midiamax
Uma queixa por perturbação do sossego durante festa em república universitária de Três Lagoas, a 338 km de Campo Grande, terminou com duas estudantes feridas e cinco presos, na madrugada da última segunda-feira (14). Os acadêmicos deixaram um sarau que comemorava a ocupação estudantil da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), e foram para o local onde a abordagem policial terminou em confusão. A versão da polícia registrada no boletim difere da que contam os estudantes.
O boletim registrado na Depac (Delegacia de pronto atendimento comunitário) da cidade, afirma que, por volta das 2h57, uma viatura teria se dirigido à república após receber reclamação de som alto. Dois policiais, de acordo com o boletim, pediram reforço “ao notar a presença de cerca de vinte pessoas”. Eles declaram, no documento, que chamaram pela proprietária da casa, uma das estudantes presas, durante dez minutos. No total, quatro viaturas apareceram no local.
Segundo os policiais, a estudante teria se negado a abaixar o som e os estudantes teriam ofendido a equipe da PM. Toda a tensão entre estudantes e policiais culminou em agressões dos dois lados e duas estudantes foram feridas por tiros de borracha. Uma delas levou dois tiros na perna e a outra está com a rótula do joelho quebrada por conta do tiro, conforme explicaram as acadêmicas e os advogados que acompanharam o episódio.
No total, cinco estudantes foram levados até a delegacia e encaminhados para a prisão. Três jovens ficaram presas no Estabelecimento Feminino Penal Três Lagoas e outros dois na Penitenciária de Segurança Média de Três Lagoas.
Eles foram liberados no início da tarde de quinta-feira (17) mediante pagamento de fiança de R$ 880, em decisão da juíza Janine Rodrigues de Oliveira Trindade. A fiança foi paga por professores dos acadêmicos. Eles, agora, respondem por agressões aos policiais e ainda devem responder judicialmente por dano ao patrimônio público, desacato, resistência e pertubação ao sossego.
Policial vizinho
A versão dos acadêmicos e dos advogados, no entanto, é diferente. Segundo eles, a presença de um policial de folga, que é vizinho dos estudantes, e os disparos de balas de borracha, levantam dúvidas de que tenha havido truculência excessiva na abordagem.
Uma das estudantes que estava na república afirma que a chegada da polícia aconteceu por volta das 4h. Ela confirma que cerca de 25 acadêmicos estavam no local, e admite que o som estava alto. “Eu tinha observado que os vizinhos estavam incomodados, então diminuímos o som e levamos a caixa de som pra dentro de casa”. Ela declara que os policiais foram apenas uma vez ao local, e nega que tenham ficado chamando durante dez minutos, conforme diz o boletim.
“A maioria [dos estudantes] estava dentro de casa quando a polícia chegou, acho que eram uns quatro policiais. Tinha um pessoal lá fora e vieram avisar que a polícia queria falar com a dona da casa [uma das estudantes que foi presa]. Foi aí que eu abaixei e desliguei o som. E nesse meio tempo que ela saiu para atender eles, invadiram a casa”, afirma.
Ela garante que os policiais não teriam esperado a estudante sair para conversar. O boletim afirma que a voz de prisão foi dada quando ela saiu e ofendeu os policiais. Um vídeo gravado por um dos acadêmicos que estava no local mostra o início do conflito. As imagens indicam que o policial deu a voz de prisão à proprietária da casa no interior da residência. Um policial que estaria de folga também consta no boletim. Ele seria vizinho da república e os estudantes acreditam que ele teria acionado os colegas para a ocorrência por barulho.
Confira o vídeo aqui:


