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quinta-feira, 6 de agosto, 2026

Acidente da Voepass: PF indicia 16 pessoas por queda que deixou 62 mortos; veja lista

Funcionários e ex-funcionários foram citados pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo

A Polícia Federal divulgou nesta quinta-feira (6) o relatório sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo (SP), que deixou 62 pessoas mortas em agosto de 2024.

Foram indiciados 16 funcionários e ex-funcionários da empresa pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo. Veja a lista:

  • Edson Serra Martins
  • Luciano Alves de Macedo
  • Oderlino de Campos Figueiredo
  • John Major Viana
  • Marcos Hiroyuki Sato
  • Alex de Souza Leandro
  • William Schmidt Agatz
  • Juliano Flores Pacheco
  • Raphael Limongi de Figueiredo
  • Marcel Sarquis Moura
  • Tiago Passucci Morani
  • Carlos Alberto Costa
  • Eric Consoli
  • Rafael Gimenez Rodrigues
  • David da Costa Faria Neto
  • José Luiz Felício Filho

Tripulação não sinalizou falhas

Diálogos registrados na caixa-preta do avião da Voepass mostram que a aeronave apresentava falhas recorrentes não sinalizadas pelas tripulações.

Segundo a PF, a causa do acidente foi a perda de controle em voo causada pelo acúmulo de gelo na aeronave, da inoperância do sistema pneumático de degelo do avião e da não execução tempestiva e adequada de procedimentos necessários para falha no sistema degelo, degradação de performance, condições severas de gelo e estol (perda de sustentação).

O relatório revelou que os pilotos sabiam sobre a falha no sistema de degelo. Durante o voo imediatamente anterior, entre Guarulhos e Cascavel, o alerta AIRFRAME FAULT (sinal para falhas no sistema de degelo) foi acionado oito vezes e a tripulação realizou resets do dispositivo ao menos cinco vezes.

Piloto: Ó lá o gelo, o gelo foi embora agora, finalmente, escutei um barulho aqui, foi o gelo que voou. (Comentário realizado na aproximação de Cascavel)

Copiloto: Muito bom, comandante.

Após o pouso, o piloto afirmou:

Piloto: Chegamos vivos.

Piloto: Ufa, chegamos vivos.

Para a Polícia Federal, os registros demonstram um “comportamento sistêmico de falhas”, uma vez que diversas mensagem ocorreram em sequência e se repetiram em intervalos de poucos segundos.

“Quando as tripulações dos voos anteriores deixaram de registrar falhas do sistema de degelo, permitiram que discrepâncias repetitivas e críticas permanecessem ocultas, contribuindo para que o sistema de degelo pneumaticamente comandado continuasse operando com intermitências não sanadas”, destacou a PF.

No voo que terminou com a queda, a tripulação comparou a aeronave a um “Fusquinha” ao comentar sobre falhas.

Piloto: É o Airframe que deu fault, pode tirar, pode tirar, pelo menos a gente já sabe que tá… [fudido]

Copiloto: Olha a situação, se bem que não tá reportado isso aí, mas pra gente não pegar gelo teria que ir no 110, né? (110 é referência ao nível de voo FL110)

Após o comentário, é emitido um sinal sonoro de detecção de gelo.

Piloto: Foi só eu falar. O avião escutou. Esse avião parece aquele Fusquinha, Herbie lá, Herbie, filme bem antigo.

Em seguida, a tripulação comenta sobre a presença de bastante gelo e reclama sobre a aeronave.

Copiloto: Bastante gelo [ali]

Piloto: Éh

Copiloto: Ligar o airframe

Piloto: Essa bosta não tá funcionando, né?

Copiloto: É

Copiloto: Gelo

Em seguida, uma série de alertas são emitidos: Performance Degradada, Increase Speed e estol (perda de sustentação), até o último alerta sonoro, que sinaliza proximidade do solo.

Fonte: R7