02/11/2015 07h10
O processo sucessório continua indefinido em Campo Grande por conta, talvez, do complicado momento de instabilidade administrativa
Conjuntura Online
O processo sucessório continua indefinido em Campo Grande por conta, talvez, do complicado momento de instabilidade administrativa, sobretudo, pelas denúncias de compra de votos envolvendo os principais caciques partidários no maior colégio eleitoral sul-mato-grossense. O fato é que, ao menos por enquanto, ninguém quer arriscar, dizendo-se candidato a prefeito em 2016.
Além das acusações de compra de votos, investigadas pela Operação Cofee Break, as denúncias que estão sendo apuradas pela Operação Lama Asfáltica amedrontam líderes e inibem candidatos do PMDB à prefeitura de Campo Grande, conforme analistas.
Deflagrada em 9 de julho deste ano pela Polícia Federal, CGU (Controladoria-Geral da União), MPF (Ministério Público Federal) e Receita Federal, a Operação Lama Asfáltica indica desvio de R$ 11 milhões na construção de obras com recursos federais, dos quais, R$ 6 milhões já comprovados.
A ação ocorreu em um órgão estadual, além de residências e empresas que possuíam contratos com o poder público.
Todas as empresas investigadas atuam na pavimentação de rodovias, construção de vias, coleta de lixo e limpeza pública, entre outros.
As acusações envolvem, entre outros, o ex-governador André Puccinelli (PMDB), o ex-deputado federal e ex-secretário de Obras, Edson Giroto, e o empreiteiro João Amorim. Todos negam.
Diante do quadro atual, nem André Puccinelli nem o ex-prefeito da Capital, Nelsinho Trad (PTB) ousam em se manifestar publicamente sobre suas intenções de postular o cargo que comandaram por duas gestões.
Para analistas, é muito cedo ainda para qualquer posição nesse sentido, até pelo fato de algumas evidências ainda sob investigação.
POLARIZAÇÃO
Independente das movimentações políticas desse ou daquele partido, a verdade é que a disputa pelas principais prefeituras de Mato Grosso do Sul deve ser polarizada entre o PMDB de André Puccinelli e o PSDB do governador Reinaldo Azambuja, principalmente em Campo Grande e em Dourados, maiores colégios eleitorais do Estado.
Em Dourados, o PMDB deve lançar o deputado federal Geraldo Resende para o confronto com o hoje tucano Marçal Filho (PSDB). O deputado estadual Barbosinha (PSB) corre por fora como uma espécie de terceira via apoiado pelo prefeito Murilo Zauith e pelo seu colega de Assembleia Legislativa, Zé Teixeira (DEM).
O problema dos peemedebistas é encontrar um nome com densidade eleitoral capaz de fazer a diferença, já que o deputado estadual Marquinhos Trad está de saída. Ele vislumbra disputar à sucessão do prefeito Alcides Bernal (PP) por outro partido, provavelmente o PSD do ministro das Cidades, Gilberto Kassab.
Outro caminho seria migrar para o PTB, atualmente dirigido pelo seu irmão, Nelsinho Trad.
Apesar das acusações, o nome do ex-governador ainda é visto como a melhor opção nos quadros do PMDB para as próximas eleições municipais.
O PT também deve entrar na briga na Capital, óbvio, com menor chance de vitória, até pelo desgaste natural da legenda no Estado e em nível nacional.
Dois nomes se apresentam interessados dentro do partido, o do deputado federal Zeca do PT e o do deputado estadual Pedro Kemp.



