29/12/2016 06h
Nascimento e Dos Santos, que tiveram prisão provisória decretada na terça-feira, já passaram por exame de corpo de delito n
Agência Brasil
Os dois homens acusados de espancarem até a morte o ambulante Luiz Carlos Ruas, 54, na noite do último domingo (25) na estação Pedro II do Metrô de São Paulo foram transferidos na tarde desta quarta-feira (28) para o 77º DP, no bairro de Santa Cecília, na capital paulista. A causa da morte do camelô também foi divulgada nesta tarde: traumatismo craniano grave.
Alípio Rogerio dos Santos, 26, e Ricardo do Nascimento, 21, estavam na Delpom (Delegacia do Metropolitano), dentro da estação Barra Funda da linha 3, onde passaram por reconhecimento de 14 testemunhas. Nascimento foi preso em Itupeva, a 73 km de São Paulo. Já Dos Santos foi detido nesta quarta-feira (28), de manhã no bairro de Itaquera, zona Leste da capital.
A saída dos dois acusados foi marcada por um princípio de tumulto na estação Barra Funda. Policiais do GOE e do Garra foram chamados para fazer a segurança da delegacia, já que dezenas de pessoas estavam em frente ao local, à espera da passagem dos dois homens, aos gritos de “assassinos” e “justiça”. Um tiro de alerta chegou a ser dado. “Mesmo eles tendo cometido esse crime bárbaro, temos que preservar a integridade deles”, disse o delegado Rogerio Marques, titular da Delpom.
Nascimento e Dos Santos, que tiveram prisão provisória decretada na terça-feira, já passaram por exame de corpo de delito no IML e permanecerão por 30 dias no 77º DP. Quando esse prazo terminar, o delegado poderá pedir a prisão preventiva da dupla.
Segundo o delegado Marques, não há indícios de crime de intolerância ou homofobia, ainda que, de acordo com as testemunhas, Ruas tenha sido perseguido e agredido por defender um travesti e um homossexual do lado de fora da estação. O policial também informou que a hipótese de uso de um soco inglês por parte dos acusados não foi confirmada, já que as primeiras imagens divulgadas não eram claras.
Legítima defesa e novas imagens
A defesa dos dois rapazes alega que eles foram vítimas de uma tentativa de assalto por parte de moradores de rua da região enquanto urinavam na praça ao lado da estação e que Alípio Rogerio dos Santos levou uma garrafada de Ruas antes de agredi-lo. O homem apresentava diversas lesões pelo corpo – na cabeça, nos ombros, nas pernas e nas costelas – ao ser detido hoje, mas ainda não se sabe se eram decorrência do momento do crime.
O delegado, porém, contesta a tese de legítima defesa apresentada pelos acusados, que também disseram estar bêbados no momento do crime. “Nada justifica o que eles fizeram, eles foram lá para matar o ambulante”, disse Marques, complementando que houve contradições nos depoimentos dos rapazes e que eles estão bem orientados pelo advogado.
A polícia ainda analisará cinco novos vídeos com imagens do ocorrido. Em um deles, exibido pelo delegado para a imprensa nesta tarde, os dois acusados são vistos três minutos após as agressões, andando tranquilamente, no que o delegado chamou de “postura fria”. Na cena, Alípio Rogerio dos Santos aparece com um sangramento na cabeça – inicialmente confundido com uma tatuagem nas primeiras imagens -, e Ricardo do Nascimento carrega um saco plástico grande nas costas.
Segundo o delegado, os presos tiveram que ser encaminhados para a Delpom, apesar de a unidade estar localizada dentro de um terminal rodoviário que integra metrô e ônibus e com grande aglomeração de pessoas, porque esta será a delegacia responsável pela investigação. “Se fosse feito em outro lugar, poderia gerar uma tese de defesa para os advogados deles”, explicou Marques.
Denúncias e recompensas
Na terça-feira, o delegado Osvaldo Nico, responsável pelas investigações, revelou que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) ofereceria uma recompensa de R$ 50 mil a quem tivesse informações sobre o paradeiro dos acusados, então foragidos.
Na tarde desta quarta, o delegado Ricardo Marques informou que a polícia recebeu, ao todo, 35 denúncias, vindas da cidade de Santos e das regiões Norte e Leste de São Paulo. Segundo ele, uma delas dizia exatamente a localização de Alípio Rogerio dos Santos. A polícia, no entanto, já estava bem próxima do local antes de receber a informação. Por isso, agora a SSP decidirá sobre o pagamento ou não de recompensas.




