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sábado, 17 de outubro, 2026

Agentes da PF de Ponta Porã aderem a manifestação nacional da classe

11/02/2014 10h25

“A PF está na UTI e precisa de socorro” afirmaram os agentes

Por: Tião Prado

Na manhã desta terça-feira (11) a maioria dos agentes da Delegacia de Policia federal de Ponta Porã realizaram um ato de protesto em frente a sede local, para demonstrar a indignação de todos com a situação em que se encontra os organismos policiais federais no Brasil, principalmente na região de fronteira.

O assessor de imprensa da Policia Federal, Maurilio de Souza, falando a reportagem do site Pontaporainforma, disse que o tema da manifestação é a Policia Federal na UTI e com isso mostrar o descaso do governo Dilma em relação a Policia Federal nos últimos quatro anos.

“O governo Federal tem deixado de investir na Policia Federal em termo de estrutura funcional e em termos de salários, sendo que há sete anos estamos tentando melhorar o salário dos agentes e o governo Federal tem ignorado o nosso pleito”, informou Maurilio.

A Delegacia de Policia Federal de Ponta Porã atua na maioria da faixa, de caracol a Coronel Sapucaia e conta com apenas 50 policiais e segundo Maurilio, é uma tarefa muito difícil, porque a maioria dos veículos já estão bastante usados e acaba gerando alguns problemas de locomoção.

“Para toda população saber mais, o governo Federal fez um anuncio que a fronteira receberia um grande aporte financeiro e na realidade o que vem a ser isso, nada mais do que a instalação de câmeras em algumas cidades, esta é a proposta de investimento do governo para a fronteira”, disse Maurílio.

Há muito tempo se comentava que a Policia Federal no Brasil se transformaria no FBI, a policia Federal America, que é considerada uma das melhores polícias do mundo, mas só que, de acordo com as informações passadas pelos agentes, a situação da instituição é tão precária que ele disse: “Não desmerecendo a policia Civil, e com todo respeito a eles, mas nossa instituição está mais próximo da realidade da policia Civil do que de uma policia Americana”.

Reivindicações

Segundo a Fenapef, os salários de agentes, escrivães e papiloscopistas não são reajustados há sete anos consecutivos, ao contrário do que ocorreu com os delegados e peritos da PF, além de servidores federais de outras áreas, como os agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e auditores da Receita. A entidade afirma que a defasagem acumulada no período chega a 45%.

De acordo com o presidente da Federação, o piso salarial da categoria é de R$ 7.500 (cerca de R$ 5.500 líquido) e o teto de R$ 11,8 mil (R$ 8.500 líquido).

“Um policial federal que vai para a fronteira, que deixa os grandes centros, tem de abandonar a família para ganhar quase R$ 5.000 líquidos. E não é só a questão financeira: colegas estão ficando doentes, fazendo tratamento psicológico por conta dessa situação. Há um alto índice de suicídios”, afirma o sindicalista.

Segundo Borges Leal, as más condições de trabalho na PF, além do assédio moral, têm provocado alto índice de baixas entre os agentes. “Eles entram para a polícia e em menos de um ano pedem exoneração”. Outro ponto criticado pelos sindicalistas é a substituição da PF pelo Exército ou pela Força Nacional em ações de segurança pública, como o policiamento na Copa do Mundo.

Além de recomposição salarial, a categoria exige que o governo federal regulamente as funções e atividades dos agentes, crie um plano de carreira para os servidores e melhore a gestão da PF. “Estamos enfrentando um grande sucateamento, um boicote. Se não mudar, a PF não dura mais cinco anos.”

De acordo com a Fenapef, o governo federal tem se mostrado aberto ao diálogo, mas até agora não apresentou uma proposta concreta à categoria.

A Policia Federal está na UTI, informaram os agentes da instituição.Foto: Tião Prado

foto: Tião Prado