22/10/2015 07h30
Interlocutores do PMDB confidenciaram que, diante da falta de um nome de peso, ex-governador teria manifestado interesse em concorrer ao cargo.
Conjuntura Online
Mesmo sendo alvo das investigações da Operação Lama Asfáltica, deflagrada para apurar desvio de recursos públicos, fraudes em licitações e contratações públicas, o ex-governador André Puccinelli (PMDB) sinaliza que será candidato à Prefeitura de Campo Grande, em 2016.
A operação foi deflagrada no dia 9 de julho pela Polícia Federal, CGU (Controladoria Geral da União), MPF (Ministério Público Federal) e Receita Federal.
Interlocutores do partido confidenciaram esta semana que, diante da falta de um nome de peso para concorrer à sucessão do prefeito Alcides Bernal (PP), André Puccinelli teria manifestado o desejo de entrar no páreo, tendo, inclusive, encomendado pesquisas de intenções de voto a fim de medir a sua densidade eleitoral.
O ex-governador foi flagrado em grampo (gravações telefônicas autorizadas pela Justiça) conversando com o secretário-adjunto de Fazenda, André Luiz Cance, um dos investigados na operação Lama Asfáltica, sobre suposto esquema no governo.
A Polícia Federal descobriu esquema envolvendo empresas que movimentaram bilhões de reais em contratos fraudulentos em Mato Grosso do Sul. Segundo a PF, elas agiam no governo estadual e também em prefeituras.
A PF já possui a comprovação de “R$ 6 milhões dos R$ 11 milhões” desviados para a organização criminosa.
Ainda assim, os principais caciques peemedebistas veem no ex-governador a única possibilidade de o partido recuperar a Prefeitura da Capital, onde teve uma hegemonia de mais de 20 anos quebrada nas eleições de 2012, quando Bernal derrotou o ex-deputado federal Edson Giroto (PMDB), ex-secretário de Obras, no segundo turno.
Sem a possível participação de Giroto, hoje no PR, e do deputado estadual Marquinhos Trad (PMDB), que deve deixar os quadros da legenda, o PMDB também trabalha com um plano B na eventualidade de André Puccinelli mudar de ideia.
A ideia da cúpula do partido, nesse caso, seria arriscar, lançando o nome do deputado federal Carlos Marun para participar do pleito. Convidada, a senadora Simone Tebet teria se manifestado contrária ao projeto.
HERANÇA MALDITA
O ex-governador também é alvo de críticas dos adversários, sendo acusado de deixar uma herança maldita ao seu sucessor, Reinaldo Azambuja (PSDB), incluindo dívidas e várias obras inacabadas, como o emblemático Aquário do Pantanal.
Apesar disso, André Puccinelli continua se movimentando, articulando para retornar ao poder. Como reação, deu início a ataques velados ao governo tucano, usando principalmente as redes sociais.
Esta semana, por exemplo, postou um vídeo em sua página no Facebook com provocações contra o adversário, dizendo que iria a Brasília se reunir com a bancada federal em busca de recursos para o setor de segurança pública.
“A preocupação é com o aumento da criminalidade em Mato Grosso do Sul. Estou indo para Brasília porque vejo que os investimentos do Estado têm sido pouco nessa área e a obrigação do governo federal não está ocorrendo. Quero ajudar e falando com os deputados federais e senadores, formarmos um time para trazermos dinheiro, recursos para MS para que nossa segurança possa ser melhor feita, para que possamos proteger as nossas famílias, o nosso futuro e o nosso Estado”, declarou.
Questionado por setores da imprensa sobre o poste, provocou: “Governo tem que agir mais e falar menos”, em crítica velada aos adversários.


