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Antonio Carlos Siufi Hindo: “Prefiro “Igrejas” a bares…..”

13/04/2015 08h30

Promotor de Justiça aposentado

Correio do Estado

Acompanhei com especial atenção a homilia sustentada pelo papa Francisco no Vaticano por ocasião do domingo de Páscoa. Foi uma verdadeira e preciosa peça literária digna de ser esculpida nos anais do berço do cristianismo.

Com um vernáculo claro e bastante objetivo sustentou o líder máximo da Igreja Católica que devemos todos ser humildes o suficiente para perdoar as fraquezas dos nossos semelhantes e que os soberbos, os arrogantes e prepotentes jamais conseguirão contemplar a maior conquista da humanidade a vida eterna, o encontro, enfim, com o nosso Onipotente.

E avançou o Sumo Pontífice com algo surpreendente ao deixar evidenciado que todos somos pecadores, inclusive ele, e que necessitamos de orações, de reflexões, de comportamentos comedidos, de piedade, mas, sobretudo, do grande poder do perdão para que possamos superar as nossas fraquezas e ajudar a todos na arte sempre importante de bem viver.

Francisco já tem o seu nome incrustrado nos anais da história da cristandade como um líder que sempre soube interpretar os reclamos do seu rebanho, indicando os caminhos seguros para a salvação e, sobretudo, dizendo sem nenhum tipo de arrependimento que todos somos pecadores, inclusive ele.

E, isso não foi conquistado da noite para o dia ou mesmo depois que se tornou o líder da Igreja Católica. Nada disso. Essa virtude foi conquistada tendo por respaldo maior sua vocação sacerdotal. Mas, foi no dia a dia, no contato direto com o seu rebanho, ouvindo a todos nos ônibus, metrôs, nas penitenciárias, nos leitos dos enfermos, em suas caminhadas pelas ruas onde oficiou que conquistou tamanha grandeza de propósitos.

Não tem espírito enfurecido pela inveja, pelo rancor, pela discórdia, pelo ressentimento, pela mágoa, pela angústia, pelos insultos de todas as ordens, que não se curve diante de uma realidade tão clara, nítida e enriquecedora de bons propósitos.

Partindo da premissa certa e incontestável que nenhum líder religioso salva as pessoas porque a nossa salvação depende exclusivamente de nós mesmos, com os atos que praticamos e com as virtudes que exteriorizamos, o certo é que rotineiramente assistimos estarrecidos a abertura de “Igrejas” comandadas por pessoas despreparadas para esse ofício, verdadeiros estelionatários da fé, das pessoas mais simples, do povo que promete o perdão dos pecados, a vida eterna com palavra enganosas, fáceis, desprovidas de qualquer tipo de fundamento filosófico ou mesmo teológico para se compreender melhor os desígnios de Deus.

E como verdadeiros comerciantes da fé esses inescrupulosos avançam sobre o dinheiro suado de suas ovelhas cobrando, na maioria das vezes, o que não tem mais para oferecer.

Ninguém mais em sã consciência duvida que a maioria dessas “Igrejas” tem apenas e tão somente um fim comercial.

Se Deus existe e temos certeza que existe, esses estelionatários da evangelização não escaparão do fogo do inferno. Mesmo diante de tanta esperteza no ato de enganar, iludir, ludibriar a boa fé das pessoas, ainda assim, prestam de algum modo serviço à sociedade quando acalmam os espíritos enfurecidos e evitam os assassinatos, os espancamentos no seio da família, as desavenças nas ruas e nas oficinas de trabalho.

Mas deixando de lado esse lado amargo da evangelização, que graças a Deus, não é o que aflora com maior abundância em nosso meio, o reverso de tudo isso encontramos nos bares.

Não estamos falando desses estabelecimentos comerciais, onde as famílias reúnem-se com os seus amigos e familiares para protagonizarem algumas horas agradáveis, colocando em dia as conversas sempre salutares com as suas vitórias e suas derrotas.

Não. Estou falando dos bares que inundam as nossas cidades, especialmente a sua periferia causando apreensão no seio das nossas famílias porque oferecem apenas e tão somente o álcool para encharcar o corpo, a mulherada para a satisfação de suas necessidades condenáveis e a jogatina miserável que tem no dinheiro e nas disputas insólitas os indicadores mais fortes a apontar que o ser humano que ali se encontra não terá um destino feliz.

Ou ele encontrará o seu fim triste e dramático após alguns goles de pinga, envolvimento com prostitutas e a jogatina, ou então, numa discussão vazia e oca de fundamentos, ao chegar em sua casa, espancará a sua mulher e os próprios filhos com atitudes ensandecidas que nem de longe deixam evidenciar as características sublimes e sempre santas do ser humano.

Diante desses fatos que existem, resultam palpáveis e, estão ao nosso redor, forçam-nos a esposar o entendimento de que, ainda assim, no âmbito dessas “ Igrejas” comandadas pelos “ enganadores” da palavra de Cristo; elas se constituem, ao meu sentir e pensar , em grandes instrumentos para amenizar a dor, o sofrimento e o luto que alcança todos os segmentos sociais.
Nos bares, decididamente, isso não acontece.

Antonio Carlos Siufi Hindo: "Prefiro “Igrejas” a bares....."