24/10/2017 16h30
Após prisões, polícia vai pedir à prefeitura de Campo Grande varredura em serviço de óbitos.
Dentista confirmou ter falsificado documento e disse que fez isso para ‘ajudar a família da vítima’.
G1MS
Polícia Civil vai pedir, nos próximos dias, uma varredura no Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) da prefeitura de Campo Grande. A ação será necessária depois da prisão na semana passada de um dentista de 52 anos, que se passava por um médico, e do agente funerário Anderson Ferreira de Souza, de 35 anos, que cobravam entre R$ 300 e R$ 500 para emitir falsa certidão de óbito.
Segundo o delegado Dimitri Erik Palermo, adjunto da 3ª Delegacia de Polícia, a Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau) deve ser acionada para verificar possíveis fraudes e informar se os formulários estão sendo preenchidos corretamente no local.
“Nós recebemos aqui na delegacia a pessoa que denunciou a fraude para o verdadeiro médico legista. Ela disse que um campo na ficha não havia sido preenchido e este é de uso exclusivo do profissional, por isso ela entrou em contato questionando. Neste momento, o médico pediu uma foto do documento e constatou que era falso, não se tratava da sua letra e o carimbo também não era do seu conhecimento”, afirmou o delegado.
Ao verificar a fraude, o verdadeiro médico denunciou o crime pessoalmente na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do bairro Piratininga. O dentista de 52 anos foi identificado e confessou o crime.
“Ele alegou que fez as anotações, porém foi um caso esporádico e para ajudar a família. Já o agente funerário Anderson Ferreira de Souza, de 35 anos, disse em depoimento que o envolvimento na fraude era de um funcionário e não tinha participação dele. As declarações, no entanto, são fracas diante as provas que temos. Eles recebiam cerca de R$ 300 e dividiam os valores entre eles”, disse o delegado.
Entenda o caso
No dia 18 de outubro, o médico compareceu na delegacia acompanhado de um diretor do SVO. Ambos relataram sobre divergências em um atestado de óbito e a investigação constatou que a dupla cobrava entre R$ 300 a R$ 500 para emitir uma certidão de óbito. Eles diziam para a família que, pelos trâmites normais e burocráticos, o documento demoraria até 12 horas ou dias.


