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sábado, 17 de outubro, 2026

ARTIGO: De onde vem os nossos evangelizadores !

03/11/2015 13h30

Por: Antonio Carlos Siufi Hindo – Promotor de Justiça aposentado

Divulgação: Dora Nunes

O papa Francisco voltou a surpreender o mundo com outro pedido de desculpas pelas lambanças produzidas por uma parte muito pequena, quase nenhuma, do clero esparramado pelo mundo inteiro. Aqui mesmo, entre nós, enfrentamos essas ações inescrupulosas de vez em quando. Semana passada a grande imprensa nacional noticiou a ação de um Capelão da Polícia Militar do Estado de São Paulo apossando-se ilicitamente do dinheiro dos seus fiéis para comprar um apartamento duplex, de frente para o mar, montar um estabelecimento de comércio, em nome de terceiros, comprar carros importados e ainda satisfazer sua gula sexual com encontros com prostitutas nos motéis da capital paulista. Não basta, por isso, o pedido de desculpa papal.

A questão que Francisco enfrenta e que atazana a Igreja Católica ao longo dos séculos é uma questão exclusivamente de caráter dos seus integrantes. Isso ninguém muda. Aliás, especialistas nesta área da sociologia aponta para essa direção ao sustentarem que esse tipo de complexidade criminológica se deriva do intricado recôndito da conduta humana, na qual se origina a sociedade e da própria dinâmica social que é, em si mesma interconexa e que vai se tornando cada vez mais complexa ao largo da História e da civilização. Esses casos nojentos para não dizer sórdidos praticados por quem tinha a obrigação de se constituir em bússola para iluminar a caminhada de pessoas desesperadas, desacreditadas em que estão em busca da fé, que redime e salva, surgem do seio da nossa população. São produtos vivos do nosso meio social com as virtudes e os defeitos da sua composição. Eles não caem dos céus, não são ungidos por Deus, nem por ele tocados na sua esmagadora maioria. Pedro, que acompanhou o Cristo em sua peregrinação terrena e com ele vivenciou as mais belas lições de amor, de perdão, e de salvação traiu o seu Mestre. O outro, por trinta moedas, o entregou para os soldados romanos.

Quando Lutero queimou em Praça Pública a bula da sua excomunhão o seu ato se constituiu no mais evidente grito de revolta contra os mercenários da fé cristã. Aqui a Igreja desnudou o seu lado pecaminoso. Foi assim também quando Napoleão mandou prender o Papa Pio VI, dentro da Capela Sistina, no ano de 1.798 ação que horrorizou o mundo cristão de então.

Mas essas ações não são privilégio apenas da Igreja Católica. Ela se estende com generosidade para todos os integrantes de outras Religiões e Igrejas esparramados por todos os quadrantes do globo terrestre. Não pode ser crível que isso ocorra com homens preparados para esse mister de levar a palavra do Cristo para quem dela mais necessita e as induz em erro para a obtenção de vantagens humilhantes e constrangedoras. Essas ações inescrupulosas que desacreditam o ser humano e o leva a viver no breu da sua própria desgraça são as mesmas que levam também Sua Santidade a se curvar com o pedido de perdão diante do mundo e a certeza de que a Justiça divina cuidara dos autores dessas estripulias no tribunal competente.

ARTIGO: De onde vem os nossos evangelizadores !