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sábado, 17 de outubro, 2026

Artigo: Espinhos cortados

Por: Alci Massaranduba

24/10/2018 15h10 – DN

Trabalhando no atendimento ao público conhecemos pessoas das mais diversas características. Os extremos são comuns no cotidiano: há os que são extremamente educados e há aqueles que são dominados por emoções coléricas. Todos os profissionais que trabalham diretamente no atendimento aos clientes são unânimes ao afirmar que os desafios são enormes e é preciso ser extremamente paciente, além de demonstrar genuína empatia.

Na manhã do dia 22 de outubro de 2018 pude vivenciar uma experiência rica em ensinamentos. Ao refletir sobre os fatos que serão narrados aqui pude entender que há coisas importantíssimas e que jamais deveriam ser relegadas ao esquecimento. Para que isso não venha a acontecer compartilharei com o leitor o que pude aprender com um senhor muito especial que cruzou o meu caminho e deixou uma marca profunda em todo o meu ser.

A fila de pessoas aguardando o atendimento estava maior do que o esperado. Todos com muita pressa e ávidos por receber uma boa noticia a respeito de suas encomendas. O calor tornava o ambiente ainda mais desconfortável e em meio a diversas pessoas havia uma jovem grávida. Após assinar a lista de entrega e receber a sua encomenda algo caiu das mãos daquela futura mamãe e então o inusitado aconteceu!

Um senhor que estava sentado levantou-se e prontamente pegou algo do chão e entregou para a moça que agradeceu dizendo que estava com muita dificuldade para se abaixar. O homem então soltou uma pérola de sabedoria: “Se nós não formos solidários uns com os outros será que ainda haverá humanidade?” Não pude me conter e verbalizei o que senti naquele momento singular.

-O senhor está de parabéns. Precisamos cortar os espinhos da indiferença que ferem o outro e abandonar o espírito da acomodação.

O sábio agradeceu balançando a cabeça em sinal de afirmação. Fiquei perplexo e pensativo durante toda a manhã. Vivendo num tempo de tanto ódio, de tanta impaciência e de tanta murmuração nem ao menos nos damos conta de que ao nosso redor há inúmeros outros seres humanos que necessitam desesperadamente de um gesto de compaixão, de palavras conciliatórias, de respeito para com todas as pessoas independentemente de cor, raça, religião, opção sexual e tudo o mais que você possa imaginar. Às vezes basta dizer um cordial: Bom dia! O milagre estará materializado bem diante dos nossos olhos. Muitas vezes nem é preciso gastar dinheiro, pois um pouco de atenção é capaz de proezas inimagináveis. Quando alguém demonstra genuína preocupação conosco tudo se transforma a tal ponto que passamos a perceber belezas antes ocultas.

Os espinhos que tanto machucam precisam ser cortados. Convido o leitor a continuar essa campanha: “Espinhos cortados”. Comprometo-me a cortar o máximo de espinhos que puder. Aprendi de um sábio que tive a honra de conhecer que posso começar a mudar o meu mundo levando a solidariedade a todos.
Bastar possuir boa vontade e uma brisa suave de esperança voltará a refrescar muitos corações que já perderam a fé. Seja você também um colaborador e faça parte dessa corrente do bem. Cada ato de solidariedade é um espinho a menos e uma renovação a mais.

Alci Massaranduba

Bacharel em Administração de Empresas, Especialista em Gestão de Negócios, Acadêmico do
curso de Matemática, autor dos livros: Minha Vida de Carteiro e Pensamentos de um Carteiro

Artigo: Espinhos cortados