22/10/2015 16h40
A nossa Guarda Municipal foi uma conquista que precisa todos os dias ser preservada
Divulgação: Dora Nunes
A nossa sempre prestigiada e importante Guarda Municipal foi criada com o objetivo precípuo de zelar pelo patrimônio público da nossa cidade e do nosso município e nunca para os seus integrantes colocarem arma na cintura para se transformarem em agentes de segurança pública, muito menos para exercerem o oficio de guardas de transito com o objetivo insólito de multar nossos cidadãos. Para essas funções que não guardam consonância fática ou mesmo legal a nossa população não nutre nenhuma simpatia. Ela tem razão.
Se dermos uma olhada minuciosa em nossos parques, praças e jardins que são poucos, mas existem, poderemos constatar a força da afirmação. Elas estão descuidadas. Mas outros próprios da municipalidade como escolas, postos de saúde, quadras de esportes e outros órgãos da administração direta do poder público municipal resultam desguarnecidos em evidente afronta às nossas famílias, e à própria sociedade, que resultam reféns de tamanha omissão.
Lembro-me quando o ex-governador André Puccinelli em visita oficial a nossa cidade fez um pronunciamento público, nas dependências da Associação Atlética Banco do Brasil, e ao ser indagado sobre a violência desenfreada na fronteira salientou que tínhamos que ter paciência porque para o Estado colocar um policial nas ruas das nossas cidades, demorava cerca de um ano para sua regular preparação. O ex-governador não estava desassistido de razão. Com efeito, para se colocar um policial nas ruas para cuidar da nossa segurança precisa efetivamente conhecer princípios de relacionamento e interação social, direitos humanos e cidadania e depois, receberem as instruções técnicas para o oficio, inclusive psicológica.
Afinal, esses homens e mulheres que formam a nossa valorosa Polícia Militar e que estão nas ruas estão defendendo nossas vidas, cuidando do nosso comércio, e expondo sistematicamente todos os dias suas vidas preciosas em jogo necessitam dessa qualificação mais apurada. O seu ofício, como se observa é de risco diário. Mas eles são treinados para essa função. Sabem dos riscos que a função exige de cada um deles.
Os integrantes da nossa Guarda Municipal, não. Eles não foram preparados para ofertar com qualidade a espinhosa missão de nos oferecer segurança. Muitos deles, não sabem manusear corretamente uma arma de fogo ainda que tenham realizado alguns rápidos treinamentos, outros não possuem o devido preparo físico para essa missão e existem também os que já estão com idade que não recomendam mais esse desafio superior às suas forças físicas, que é o confronto direto com a bandidagem. Mas é certo também que todos são chefes de família e necessitam desse trabalho para ajudar no sustento de sua prole. Mas, tudo tem limite.
Dias desses estivemos fazendo a nossa caminhada matinal no Horto Florestal e ali constatamos alguns postes de luz derrubados no chão por ato de absoluto vandalismo de uns poucos atrevidos em evidente desrespeito ao dinheiro público. Notamos também que o mato tomou praticamente conta da sua área verde. Os usuários de drogas, utilizam aquele espaço para as suas práticas condenáveis sem ser molestados. Agrava ainda mais a situação quando se constata que dentro da sua linha perimétrica está a sede da nossa Guarda Municipal. Assim fica difícil entender, compreender e melhor interpretar a verdadeira função da nossa Guarda Municipal. Nos bairros, nas vilas e nos distritos o quadro deve ser ainda mais estarrecedor. Isso não pode continuar.
A nossa Guarda Municipal foi uma conquista que precisa todos os dias ser preservada, mas com os seus integrantes exercendo suas funções para as quais originariamente ela foi criada e depois instituída – cuidar do nosso patrimônio público -. Fora desse parâmetro e desse limite legal a reprovação é uníssona no seio de todos os setores da nossa população.
Antonio Carlos Siufi Hindo
Promotor de Justiça aposentado


