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sábado, 17 de outubro, 2026

Artigo: O Adulto, o adolescente e a adolescência

Por: NORMA YAKABI

04/07/2019 14h30 – DN

Quando li a frase:

Para a criança, só é possível viver sua infância. Conhecê-la compete ao adulto.

Sim! Eu sou um adulto e preciso estudar para aprender a conhecer e reconhecer a criança e o adolescente. Parei para pensar em algumas frases e questionamentos de algumas leituras, passei a pensar e o pensar me trouxe algumas preocupações. Então fui buscar mais alguns livros e encontrei nesse trecho algumas informações que são muito importantes.

Outro livro que também ajudou foi: A evolução psicológica da criança de Henri Wallon – 2007. Nele encontrei uma frase que diz: nossas lembranças podem ser físicas ou psicológicas e que nem tudo o que lembramos necessariamente será bom ou prazeroso. Podemos ter lembranças ruins também, que se não enfrentamos, podemos carregar para nossas vidas sem sabermos a causa.

De acordo com BUENO (2013): “A adolescência é um momento crucial na vida do homem e constitui a etapa do processo de desprendimento”. E ainda precisamos saber que a adolescência também tem fases, que ela não é apenas uma fase. Nesse período ocorrem mudanças físicas em alguns mais acentuados do que em outros, contradições por oscilações de hormônios, enfim, um período de instabilidade externa e interna. Emocionalmente é um período de confusões, ambivalências, contradições.

O adolescente se sente forte por fazer parte de grupos, por se identificar em grupos, mesmo sem ter uma verdadeira identidade, quer reforçar uma personalidade que ainda não está definida, por questões hormonais existem variações de humor além de uma evolução sexual.

Segundo BUENO (2013): “As mudanças psicológicas que se produzem nesse período e que são o correlato de mudanças corporais levam a uma nova relação com os pais e com o mundo, o que só é possível se o adolescente elaborar lenta e dolorosamente o luto pelo corpo da criança, pela identidade infantil e pela relação com os pais na infância”.

Nesta fase de conflitos, precisamos saber que cada situação e cada caso se resolverá de acordo com que cada pessoa, cada ser tem dentro de si. Não existe uma receita para dizer o que e como precisa ser feito, pois cada um tem a sua história e as suas marcas. Essas histórias e essas marcas são somas de tudo o que a criança viveu no seu núcleo familiar, na sua escola, nas reuniões religiosas, nas reuniões sociais, em atividades extra curriculares, enfim cada um tem a sua história.

A adolescência é a fase onde nos sentimos com super poderes, pois temos o poder de ser, o poder de fazer e explorar, o poder de pensar por si próprio, o poder de ter sua identidade fora da família, o poder de desenvolver habilidades, o poder de ter valores éticos, o poder de reciclar e isso tudo passado pelos pais, em oportunidades oferecidas pela família que só quer o bem e o melhor, mas muitas vezes não entende porque esses “poderes” causam tantos problemas.

Então as lutas são travadas! Pois o adulto quer colocar limites nos poderes que ele mesmo deu para o adolescente e este não sabe como utilizar.

O adolescente quer viver com direitos do adulto, mas muitas vezes preso ainda num corpo quase de criança. É uma fase difícil para os dois lados pois o adulto não aceita que já não terá tanto domínio sobre aquele ser que já tem capacidades para algumas decisões e responsabilidades próprias.

Temos que nos preocupar com os adolescentes que passam a representar, por medo de serem repreendidos. Aprendem a atuar por receio de não estar correspondendo às expectativas do adulto. Eles sentem medo de conversar com os próprios pais, de falarem de seus problemas e dificuldades. Precisamos sim ter filhos que nos respeitem, mas medo é outro sentimento.

Ser mãe e ser mãe de adolescente são coisas diferentes! ACREDITEM!

E você? Está preparada?

Artigo: O Adulto, o adolescente e a adolescência