26/08/2014 15h20
Por Rosildo Barcellos
Divulgação: Dora Nunes
Um artigo serve para exteriorizar pensamentos. O que escrevo está sempre fora de mim ao mesmo tempo em que me liberta ante ao manuseio da verdadeira forma de expressão. Não obstante permite relacionar o que já sabemos (pois está escrito) com o que queremos saber (que ainda é questão). Desta feita, adentro na questão da lusofonia, que aliás, é o conjunto de identidades culturais existentes em países, falantes da nossa língua portuguesa podendo citar principalmente Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, além do Timor Leste. Evidentemente qualquer alteração que se faça traz em seu bojo reações. Sempre haverá os que aplaudem e os que reprovam, e a razão é extremamente simplória: a reestruturação de qualquer coisa sempre implicará em mudança de atitudes e de comportamentos das pessoas envolvidas ou afetadas nesse processo. A reforma ortográfica idem.
A língua realça valores; mobiliza crenças; institui e reforça poderes. Acredito ser de fundamental importância sob o ponto de vista estratégico iniciativas como o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Muito mais do que somente unificar a ortografia da língua portuguesa, este acordo propicia um novo e importante impulso à manifestação da identidade cultural brasileira no cenário internacional.Acontece que nem vigorou a obrigatoriedade do acordo previsto para 2016, parlamentares do nosso país já discutem outras propostas de mudança. Para exemplificar adianto algumas:Exuberante – Ezuberante, Moço – Moso, Exigente – Ezigente e Pegajoso passaria para Pegajozo.
Peço escusas, mas entendo que antes da unificação da grafia da Língua Portuguesa entre os países lusófonos seria mais urgente e importante discutir as questões do âmbito social e político tais como a fome, pobreza e erradicação de doenças consideradas, ainda, de países subdesenvolvidos; assim como do câncer, do ebola e da AIDS. Concordo também que escrever corretamente é importante, inclusive eu tento! Mas um erro de grafia; não destrói a língua mas do que o olhar de uma criança que pisa descalça em esgoto a céu aberto; e nem impede a sua leitura quando observada em seu devido contexto. Até porque estamos num mundo onde as pessoas se preocupam cada vez menos com o ser humano e se ocupam cada vez mais com a vida dos outros e não com seu cotidiano familiar de injustiças e arbitrariedades.
A língua … tão corriqueira em nossas vidas, perpassa obliterada ante a sua funcionalidade. É todavia, a ferramenta mais importante que os seres humanos têm para estabelecer laços de comunicação e extrair o melhor de suas relações.
**Vergastar: fazer críticas ásperas
*Articulista


