25/10/2017 08h10
Irmã da vítima denunciou que, mesmo preso, ele estava ativo nas redes sociais.
Correio do Estado
Acusado de matar a musicista Mayara Amaral, 27 anos, Luis Alberto Barbosa, 29, foi isolado em cela disciplinar do Presídio de Trânsito (Ptran) após agentes penitenciários apreenderem um celular e chip em cela com o detento. Conforme a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), também foi aberto Procedimento Administrativo Disciplinar (Padic) para averiguação do fato.
Revista na cela foi feita após denúncia da irmã de Mayara, Pauliane Amaral. Ela registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil denunciando que, mesmo preso, Luís estava online e ativo em seus perfis nas redes sociais desde o dia 17 de outubro.
“Só posso dizer que é revoltante pensar que o homem que tirou da minha irmã o direito a vida ainda possa ter direito de usar as redes sociais”, diz `Pauliane em uma postagem no Facebook.
Delegado da 3ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, Geraldo Marim, disse ao Portal Correio do Estado que o caso ainda não foi repassado para a delegacia, que ficará responsável pela investigação.
Conforme o delegado, boletim de ocorrência foi registrado como favorecimento real na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do Centro.
“O registro de favorecimento é para apurar quem teria dado esse favorecimento, quem ingressou ou facilitou a entrada do celular no presídio. O que cabe a ele [Luís] é responder disciplinarmente. O interesse é descobrir quem passou o celular, mas é dificíl eles falarem”, disse o delegado.
Ainda segundo Marim, o celular apreendido será pedido para a Agepen e deve passar por perícia. O crime de favorecimento real tem pena de até dois anos.
CRIME
O corpo de Mayara foi encontrado desfigurado em estrada que leva à região do Inferninho, em Campo Grande, no começo da noite do dia 24 de julho.
O inquérito da Polícia Civil sobre o assassinato foi entregue ao Ministério Público Estadual (MPE) no dia 7 de agosto.
Foram ouvidas 20 testemunhas sobre o caso e o documento foi finalizado com 300 páginas, onde delegada responsável pelo caso, Gabriela Stainle, da Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv), concluiu que Luís agiu sozinho.
No inquérito policial, Luís foi indiciado por latrocínio e ocultação de cadáver. Outras duas pessoas foram presas sob suspeita de envolvimento no crime. Ronaldo da Silva Olmedo, 30 anos, conhecido como Cachorrão, foi indiciado por tráfico de drogas. Anderson Pereira, 31, acabou indiciado por receptação do veículo de Mayara.
A Justiça Estadual deferiu pedido da defesa de Luís e o juiz Wilson Leite Corrêa, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, decidiu que ele será julgado pelo crime de feminicídio.
A promotora de Justiça Mariana Sleiman, da 21ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, se manifestou contrária a decisão do juiz, de analisar a morte da musicista como feminicídio.
Em manifestação, publicada na sexta-feira (20), a promotora afirma que o caso deve ser analisado como latrocínio – roubo seguido de morte, sustentando a tese da denúncia inicial de que o acusado Luís Alberto Bastos Barbosa praticou crime contra o patrimônio.


