12/11/2016 06h50
Em busca do consenso, Mochi corre risco diante do interesse do PMDB de enfrentar Reinaldo em 2018.
Conjuntura Online
Os deputados estaduais começaram a tratar com prioridade a eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, marcada para o ano que vem, mesmo diante da turbulenta e desgastante ‘operação caça fantasmas’ depois do grampo clandestino que expôs dois integrantes da Casa tramando um esquema fraudulento no ponto de freqüência dos servidores.
Os deputados Paulo Corrêa (PR) e Felipe Orro (PSDB) foram gravados “tramando” fraudar o ponto dos servidores que atuam em suas bases eleitorais como forma de “driblar” eventual reportagem do programa fantástico, da Rede Globo, que investiga a existência de funcionários fantasmas nos legislativos do país afora.
Embora pertença ao PMDB do ex-governador André Puccinelli, o atual presidente da Mesa Diretora, Júnior Mochi, é visto como favorito para reassumir o cargo.
O deputado peemedebista, inclusive, já teria o apoio de correligionários e integrantes da bancada petista, composta por Amarildo Cruz, Pedro Kemp, João Grande e Cabo Almi, que veem com bons olhos a sua reeleição.
Em busca do consenso, Mochi corre risco diante do interesse do PMDB de enfrentar o governador Reinaldo Azambuja nas eleições de 2018.
Interlocutores do PMDB dão conta que André Puccinelli se movimenta no sentido de concorrer ao cargo pela terceira vez, estando apenas deixando a ‘poeira baixar’ depois das acusações sobre desvio de dinheiro público envolvendo alguns de seus assessores mais próximos, alvo de investigação da Operação Lama Asfáltica.
Apesar do desgaste, o ex-governador reuniu dia desses, em Campo Grande, 36 prefeitos do PMDB e de partidos aliados.
André também aproveitou o “Seminário Novos Gestores” patrocinado pela CNM (Confederação Nacional de Municípios) em Brasília, de 24 a 26 de outubro para assediar os futuros prefeitos.
Apesar da forte campanha em favor do nome de Mochi, outros parlamentares se movimentam na mesma velocidade na tentativa de reverter o quadro.
Na noite da última quarta-feira (9), por exemplo, na residência do deputado Flávio Kayatt, os parlamentares tucanos se reuniram para discutir a indicação de um nome para concorrer à presidência.
Preterido da disputa pela presidência da atual Mesa, já que o próprio governador havia feito compromisso de elegê-lo como recompensa por ter sido um dos companheiros de primeira hora durante a sua campanha vitoriosa, Onevan de Matos é um dos nomes fortes no ninho tucano.
Durante a reunião, os deputados Maurício Picarelli e Beto Pereira também demonstraram interesse em concorrer ao cargo.
ADVERSÁRIOS
Apesar de ter sido um aliado importante na campanha da vice-governadora Rose Modesto (PSDB) à prefeitura de Campo Grande, Mochi é visto por lideranças tucanas como provável adversário nas eleições de 2018, por causa de sua forte ligação com André Puccinelli, hoje principal rival de Reinaldo Azambuja no Estado.
A leitura que os analistas fazem é que entregar a presidência da Assembleia para o PMDB é contraditório para um grupo político que busca a reeleição e vê um embate iminente entre André Puccinelli e Reinaldo Azambuja em 2018.


