A cidade de Ponta Porã amanheceu mais silenciosa na última sexta-feira com a notícia do falecimento do médico Asturio Marques, uma das figuras mais respeitadas da fronteira. Sua partida representa uma perda profunda não apenas para a medicina, mas para toda a comunidade que, por décadas, encontrou nele cuidado, acolhimento e compromisso genuíno com a vida humana.
Asturio Marques construiu uma trajetória marcada por dedicação incansável à população fronteiriça, atendendo gerações de famílias com competência técnica e sensibilidade rara. Em uma região onde os desafios de acesso à saúde são constantes, ele se destacou como um profissional presente, atento e sempre disposto a ir além do dever.
Reconhecido como “médico dos bons”, Asturio reunia qualidades que o tornaram referência: conhecimento sólido, prática segura e, sobretudo, humanidade. Seus pacientes não eram apenas casos clínicos, mas pessoas com histórias, medos e esperanças – algo que ele jamais ignorou em sua atuação.
Antes de consolidar sua carreira na medicina civil, Asturio Marques também serviu ao país como major do Exército Brasileiro. A disciplina e o senso de missão adquiridos na vida militar acompanharam toda a sua trajetória, refletindo-se em seu compromisso com o bem coletivo e na forma ética com que conduziu sua profissão.
Além da medicina, ele também teve participação na vida política, buscando contribuir para melhorias estruturais na região. Sua atuação foi pautada pelo interesse público e pelo desejo de promover condições mais dignas para a população da fronteira, especialmente nas áreas de saúde e assistência social.
Ao longo dos anos, Asturio tornou-se mais do que um médico: foi conselheiro, amigo e porto seguro para muitos. Em momentos de fragilidade, era sua presença que trazia conforto e confiança, marcas que permanecem vivas na memória daqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo.
A fronteira Brasil-Paraguai, com suas particularidades culturais e sociais, sempre encontrou em Asturio Marques um profissional capaz de compreender e respeitar suas complexidades. Ele transitava entre diferentes realidades com empatia, oferecendo atendimento sem distinções.
Seu legado ultrapassa consultórios e hospitais. Está presente nas histórias de vidas salvas, nos gestos de solidariedade e na inspiração deixada para novas gerações de profissionais da saúde, que encontram em sua trajetória um exemplo a ser seguido.
Neste momento de luto, Ponta Porã se despede de um de seus grandes nomes – talvez o maior na área da saúde. A ausência de Asturio Marques será profundamente sentida, mas sua história permanecerá como símbolo de dedicação, ética e amor ao próximo.
A cidade perde um médico, mas a memória coletiva preserva um homem cuja vida foi inteiramente dedicada ao cuidado com o outro. E é assim que ele será lembrado: como alguém que fez da medicina não apenas uma profissão, mas uma missão de vida.
advogado e fronteiriço de coração

