05/02/2017 6h20
Avó acusada de torturar criança de 4 anos em ritual volta para prisão
Ela foi solta em agosto, MPE recorreu e Justiça decretou prisão preventiva
Correio do Estado
ICladir Vargas Miranda, 61 anos, avó adotiva de um menino de 4 anos torturado em ritual de magia negra, teve a prisão preventiva decretada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS. Ela foi presa em março do ano passado, mas foi solta cinco meses depois e Ministério Público Estadual (MPE) recorreu.
De acordo com o MPE, a acusada teve a prisão preventiva decretada durante fase de investigação policial, depois de representação da autoridade policial e parecer do Ministério Público favorável à prisão.
Além da avó, foram presos Conceição Vargas da Cruz, 31 anos, Arnaldo Pavão, 46, que são parentes do menino e tinham a guarda dele, e Giovani da Silva Ortiz, 18, sobrinho do casal. Os três confessaram para a polícia que eram praticantes de magia negra e acreditavam que com os rituais de tortura trariam prosperidade para a família. Eles continuam presos.
Cladir foi solta no fim da instrução criminal, em agosto do ano passado, quando juiz da 7ª Vara Criminal entendeu que não subsistiam requisitos da prisão preventiva e decidiu revogá-la, com aplicação de medidas cautelares.
Ministério Público, por intermédio do promotor de Justiça Luiz Antônio Freitas de Almeida, entrou com recurso por entender que ainda subsistiam requisitos da prisão cautelar da acusada.
Em sessão realizada na última semana de janeiro, a 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, por unanimidade, deu provimento ao recurso, decretou a prisão preventiva da acusada e expediu mandado de prisão, que já foi cumprido.
Processo do caso ainda não foi julgado, mas depoimentos já foram tomados em juízo. Falta ainda laudo pericial e apreciação de pedidos probatórios feitos pelo Ministério Público.
O CASO
Pais biológicos da criança são usuários de droga e o deixaram em um abrigo. Em maio de 2015, mediante autorização judicial, ele foi adotado pelo casal de tios, moradores em uma residência na Rua Maracaju, na Capital, onde também morava o primo e dois filhos menores do casal.
Foi neste local que tiveram início os rituais de magia negra que aconteciam até três vezes por semana.
Criança estava sendo monitorada pelo abrigo Casa da Criança Peniel e na tarde do dia 23 de fevereiro de 2016 equipe foi até a casa onde a criança vivia e descobriu o caso.
Segundo a Polícia Militar, foram constatados ferimentos como: múltiplas queimaduras no rosto, lesões por socos e pancadas na face, que quase causaram perda da visão dos dois olhos, hematomas nas costas, dilatação do abdômen, cicatrizes antigas, inchaço na região escrotal. Uma das unhas do pé da criança também foi arrancada.


