09/03/2015 08h40
Afirmação é do Conselho Institucional de Segurança de Dourados (Coised) que revela a crise na Segurança Pública como falta de efetivo, viaturas quebradas e sem manutenção e forte número de transferências de presos de facções criminosas para a PED.
Douradosagora
Relatório do Conselho Institucional de Segurança de Dourados (Coised) revela que a capacidade de atuação das forças policiais do município está esgotada. De acordo com o documento, enquanto houve crescimento populacional nas últimas décadas, as instituições de segurança sofreram regressões bruscas em seus quadros de servidores e na própria estrutura, o que impede a conclusão de investigações, a solução de crimes e sobrecarregando os servidores. Falta de policiais, delegados, combustível e viaturas quebradas foram alguns dos pontos críticos que, segundo o Coised, merecem atenção emergencial do poder público.
O primeiro item do relatório aponta que o déficit na Polícia Civil é de no mínimo 25 investigadores. Isto ocorre porque na última lotação que ocorreu no final do ano passado, dos 270 novos investigadores, nenhum foi designado para Dourados. Dos 9 que chegaram através de remoção, 10 já saíram por questões como transferências e aposentadorias. O Conselho também aponta que a Polícia Civil precisa de reposição de, no mínimo, 5 delegados, baixa sofrida pela instituição apenas nos últimos três meses.
O supervisor das promotorias criminais, promotor João Linhares Júnior, compara Dourados com Três Lagoas em efetivo policial. “Só para se ter ideia da gravidade da situação, Dourados conta com o dobro da população de Três Lagoas, mas lá, há maior número de delegados atualmente do que aqui. São 13 lá e 10 em Dourados, muito embora, em nossa cidade, tenham sido registradas por volta de 3 mil ocorrências a mais”, destaca.
O setor de Perícia também precisa de reforços. De acordo com o Coised,o déficit é de 4 peritos criminais e 4 peritos papiloscopistas, já que atualmente estão lotados em Dourados 12 profissionais para atender 450 mil habitantes, enquanto que Três Lagoas, há 8 peritos lotados para atender pouco mais de 100 mil.
O segundo item do relatório solicita a chamada de, no mínimo 120 remanescentes do concurso de formação de Soldados PM para fins de reposição. Segundo o Coised, do total de soldados em curso de formação, cuja conclusão está prevista para 30 de maio, apenas 48 serão lotados para a PM de Dourados, cujo déficit é de 400 policiais.
O item 3 do relatório aponta que através de interferência política ocorrem remoções de policiais lotados em Dourados sem a devida permuta, o que aumenta ainda mais o déficit de policiais. A adoção de concursos regionalizados também foi sugerido para estimular a permanência do candidato aprovado em Dourados.
O item 4 do levantamento aponta como importante o reconhecimento do Coised como instituição de utilidade pública estadual e federal. A entidade, que já é utilidade pública Municipal, precisa avançar nas esferas Estadual e Federal para continuar intervindo em prol da segurança pública.
O Conselho também recomenda uma política pública eficiente de contratação de servidores, acompanhando o crescimento populacional e da criminalidade do município. Outra questão apontada é a necessidade de Dourados conseguir agilizar as licenças ambiental e de Vigilância Sanitária para ativar o Instituto Médico Legal (IML), que apesar de pronto há 4 anos está de portas fechadas. Com isso todo o trabalho de necropsia são realizados dentro de funerárias particulares, o que dentre outros transtornos comprometem os laudos periciais.
“Além da maior população carcerária de MS, Dourados tem a mais populosa Reserva Indígena do país, com 13 mil índios, com alto índice de violência. Além disso é pólo universitário, o que atrai jovens de todo o Estado, atende 8 distritos e fica localizada na faixa de fronteira”, ressalta João Linhares.


