07/10/2014 06h
Dos 69 atuais deputados evangélicos, nove não concorreram a nenhum cargo e cinco se candidataram a outros cargos, como governo e Senado.
UOL
A bancada evangélica na Câmara conseguiu reeleger 53% de seus deputados, conforme apuração dos votos deste domingo (5) divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Do total de 69 deputados que compõem a bancada, segundo dados de setembro deste ano da Frente Parlamentar da Família e Apoio à Vida, 37 se reelegeram. Deste total, 17 deputados partem para o terceiro mandato ou mais, ou seja, já foram reeleitos em pleitos anteriores. A presidente da frente, que abrange a bancada evangélica, deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP), contudo, não foi reeleita.
Dos 69 atuais deputados evangélicos, nove não concorreram a nenhum cargo e cinco se candidataram a outros cargos, como governo e Senado.
No Brasil, os evangélicos representam 22,4% da população (uma em cada cinco pessoas), ante a cerca de 65% de católicos (três em cada cinco pessoas), segundo dados do Censo de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Nestas eleições, o número de candidatos abertamente evangélicos (que usam nome na urna com expressões como “bispo”, “pastor” e “missionário”) cresceu 45% em relação a 2010. Três deputados com “pastor” no nome de urna foram eleitos.
Bancada de vários partidos
Segundo composição até setembro deste ano, a bancada tinha deputados de 17 partidos diferentes. A sigla com maior número de representantes era o PR (Partido da República), com 11 deputados – um dos integrantes é Anthony Garotinho, candidato ao governo do Rio de Janeiro.
Na sequência, com dez deputados, está o PSC (Partido Social Cristão), cujos principais representantes são o Pastor Everaldo, que concorreu à Presidência da República, e o pastor da Assembleia de Deus e já deputado Marco Feliciano.
O PRB (Partido Republicano Brasileiro), de Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal e candidato ao governo do Rio de Janeiro, tem oito representantes. Mesmo número de deputados do PMDB de Eduardo Cunha, líder do partido na Câmara, da Sara Nossa Terra, e de Fátima Pelaes, da Assembleia de Deus.
As igrejas com maior número de deputados na bancada até estas eleições eram a Assembleia de Deus, com 19 deputados, seguida da Igreja Batista, com dez. Com sete representantes cada uma estão as igrejas Universal do Reino de Deus e Presbiteriana.
Top 5: partidos com maior nº de deputados evangélicos
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PR: 11
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PSC:10
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PRB: 8
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PMDB: 8
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PSDB: 6
Top 5: igrejas evangélicas com maior nº de deputados
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Assembleia de Deus: 19
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Batista: 10
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IURD: 7
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Presbiteriana: 7
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Renascer e Evangelho Quadrangular: 4 cada uma
Completam o grupo, formando assim a “frente parlamentar” evangélica, os senadores Magno Malta (PR-ES), Walter Pinheiro (PT-BA) e Eduardo Lopes (PRB-RJ).
A composição atualizada da bancada evangélica, com reeleitos e também novos integrantes, deve ser divulgada pelo Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) em novembro, de acordo com a própria entidade.
Bancada decide contra temas LGBT e aborto:
Na Câmara, a bancada evangélica tem se articulado para dificultar a aprovação de projetos de lei em favor da comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros). A restrição ao aborto é outro tema que mobiliza o grupo.
Em 2013, enquanto presidia a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, o pastor Marco Feliciano conseguiu a aprovação do projeto que ficou conhecido como “cura gay”. Ele permite a psicólogos promoverem tratamentos para “curar homossexualidade”.
Em maio, o deputado João Campos (PSDB-GO), da Assembleia de Deus, afirmou que a bancada evangélica discutiria medidas contra a decisão do Conselho Nacional de Justiça de obrigar cartórios a celebrar casamentos entre cidadãos de mesmo sexo.
Também em maio, a apresentadora Xuxa Meneghel foi hostilizada pelo pastor Eurico (PSB-PE), da Assembleia de Deus, durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça sobre a Lei da Palmada. O projeto proíbe a aplicação de castigos físicos a menores de idade — e só foi aprovado após alteração no texto final para atender a bancada evangélica.
Em agosto de 2013, após a sanção da lei que torna obrigatória políticas do Ministério da Saúde no atendimento a vítimas de violência sexual (como a oferta de pílula do dia seguinte e aborto após estupro), a bancada apresentou pedido para revogá-la.



