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domingo, 18 de outubro, 2026

Bancos “perdem a vergonha” e ignoram reclamações de clientes em Ponta Porã

Caixas eletrônicos sem dinheiro e “horas” na fila são infrações recorrentes

18/10/2018 16h30 – Jornal Che Fronteira

Nem todos os bancários têm responsabilidade sobre o regime declaradamente impiedoso e explorador imposto pelos banqueiros, porém, os gerentes e/ou gestores das agências (que também são bancários) deveriam evitar que as imagens dos bancos que eles representam não fossem sempre tão antipáticas aos seus próprios clientes e à população em geral.

Para isso, bastaria aprender com os próprios erros ou, no mínimo, se colocar uma vez na vida no lugar de um cidadão comum numa das infindáveis filas tão tradicionais na rede bancária brasileira.

FERIADÃO

O final de semana prolongado atraiu milhares de turistas à fronteira, como já aconteceu incontáveis vezes (inclusive recentemente durante a Black Friday) e as agências bancárias de Ponta Porã conseguiram repetir, pela enésima oportunidade, o mesmo erro: deixaram os caixas eletrônicos sem dinheiro. A Reportagem do Jornal Che Fronteira recebeu inúmeras reclamações a respeito da demora nas filas e da falta de dinheiro nos caixas eletrônicos.

Isso provocou, com certeza, grandes prejuízos ao comércio, sobretudo o de pequeno porte, causou transtornos pessoais a um sem número de pessoas, enfim, acaba sendo inevitável ter que registrar a pergunta que está na cabeça de todo mundo:

  • Essas pessoas, indiferentemente do cargo que ocupem nestas instituições financeiras e que ficam com o dinheiro do cidadão guardado e não devolvem quando ele mais precisa, estão de brincadeira, fazem os clientes passarem por dificuldades de propósito, ou são realmente burras?

Senão, é público e notório que aos finais de semana (e nem precisa ser dos mais prolongados) a fronteira recebe o aporte de uma “população extra” que ocupa a rede hoteleira, frequenta bares e restaurantes, obviamente, consome. Tão claro quanto isso é que, para um volume maior de pessoas, vai haver mais gastos, mais compras, enfim, maior movimento em todos os segmentos, o que evidencia mais dinheiro em circulação.

Mesmo assim, as agências bancárias de Ponta Porã não “pensaram” em reabastecer os caixas eletrônicos com maior frequência e faltou dinheiro mais uma vez. As consequências desse desrespeito que as pessoas sofrem, cada cliente de qualquer agência deve conhecer, mas, os bancos continuam ignorando as reclamações.

CENTOPÉIAS

O assunto das filas, que desrespeitam descaradamente o que prevê lei municipal instituída para normatizar o tempo que o cliente pode esperar para ser atendido é outro exemplo de que os bancos perderam a vergonha e não estão “nem aí” para as queixas dos consumidores.

No Procon, como já foi dito outro milhão de vezes, os bancos continuam “no topo”, perdendo apenas para as não menos desrespeitosas operadoras de telefonia e internet.

As forças vivas de Ponta Porã, como a Câmara Municipal, a Associação Comercial, a Prefeitura Municipal, o Procon, até o Ministério Público, já se manifestaram, mobilizaram outras instituições da cidade e tomaram, acredita-se, todas as providências e iniciativas aos seus alcances para fazer com que, pelo menos, a lei seja cumprida. Nota-se que tudo isso, até agora, foi inócuo.

BANCOS

Os bancos, por sua vez, rezam na mesma cartilha (apesar de concorrentes) e cantam afinadinhos as mesmas música e letra: em nota, através de suas respectivas assessorias de comunicação, dizem, cada um com suas palavras, mais ou menos o seguinte:

“O banco assegura que reduzir os índices de reclamação é foco permanente, assim como oferecer um atendimento de qualidade a todos os clientes e usuários”. E completam: “O banco vem desenvolvendo nos últimos anos um extenso programa de análise da origem das manifestações de seus clientes e usuários.
Esse trabalho é realizado juntamente com os gestores de produtos, processos e serviços e vem produzindo melhorias na solução e redução das manifestações e, consequentemente, da posição do banco nos diversos rankings de reclamações existentes. Além disso, entre outras ações adotadas estão os constantes investimentos em treinamento do quadro de colaboradores e em infraestrutura”. E para completar a piada, finalizam assim: “É importante ressaltar que o banco tem uma posição de respeito absoluto ao cliente e aos seus interesses”. (?????)

BANCO CENTRAL

Qualquer cidadão pode registrar, no Banco Central do Brasil (BCB ou BACEN), reclamações sobre os serviços oferecidos pelas instituições financeiras. Elas ajudam no processo de regulação e fiscalização do sistema financeiro.

Entretanto, o BCB não tem competência legal para atuar sobre o caso individual do cidadão. Em caso de conflito com a instituição financeira, o cidadão deve procurar, segundo o próprio BCB, a Central de Atendimento ou o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da própria instituição; a ouvidoria da instituição financeira ou os órgãos de defesa do consumidor.

Além da agência local do Procon, a Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor (SENACON) disponibiliza o site www.consumidor.gov.br, que permite o contato direto entre consumidores e empresas. Inicialmente, o cidadão deve verificar se a instituição financeira reclamada está cadastrada no site. Após o registro de sua reclamação a empresa tem até 10 dias para analisar e responder a reclamação. Em seguida, o reclamante terá até 20 dias para comentar a resposta recebida, classificar a demanda como
Resolvida ou Não Resolvida, e ainda indicar seu nível de satisfação com o atendimento recebido.

O Bacen reconhece, ainda, que é também direito do cidadão recorrer ao Poder Judiciário para solução das questões que não tenham sido resolvidas satisfatoriamente por essas instituições.

Portanto, como individualmente a despesa fica bem pesada e nem sempre a demanda compensa, acredita-se que o caminho para dar fim a este dilema (se bem que as possibilidades são efetivamente remotas) possa vir a ser através da instauração de uma ação popular na Justiça.

Pode ser muito salutar, também, orar com toda a fé e pedir a Deus que toque o coração dessas pessoas que administram as agências bancárias e lhes dê sabedoria para que consigam resolver um problema que traz graves consequências a todos, inclusive aos bancos, e que a olhos vistos tem uma solução bem fácil e ao alcance de todas as agências bancárias. Basta pensar um pouco e arrumar esta bagunça!

Texto: Edmondo Tazza – MTE/MS 1266

Divulgação

COMO FUNCIONA A QUEIXA NO BACEN