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quinta-feira, 22 de outubro, 2026

BC corta juros pela 1ª vez em 4 anos; taxa cai 0,25 ponto, para 14% ao ano

20/10/2016 06h10

“A queda é pequena para resultar numa diferença muito grande de rentabilidade dos investimentos”, diz Paulo Figueiredo, diretor de operações da FN Capital

UOL

O Banco Central cortou a taxa básica de juros (Selic) pela primeira vez em quatro anos. O que isso muda nos seus investimentos? E para quem quer tomar crédito, a situação melhora?

Para três especialistas ouvidos pelo UOL, esse corte deve ser o começo de um processo de queda dos juros e, na prática, ainda não muda muita coisa. A renda fixa continua sendo uma boa opção para o investidor.

Para José Mauro Dellela, estrategista da Rafter Investimentos, a renda fixa segue em alta porque os juros continuam elevados. “Quando se compara nossa taxa com os juros de 0,25% a 0,50% ao ano nos Estados Unidos ou juros negativos na Europa e no Japão, dá para perceber que a renda fixa no Brasil continua valendo muito a pena”, diz.

Rodrigo Assumpção, planejador financeiro pelo IBCPF (Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros) e diretor da Ethos Investimentos, afirma que a renda fixa deve continuar atrativa mesmo que a Selic caia para 11% ao ano em 2017, como projeta o mercado. “Se a inflação cair para 5% e a Selic cair a 11%, ainda assim o investidor terá um ganho real [descontando a inflação] de 6%, é muita coisa”, afirma.

“A queda é pequena para resultar numa diferença muito grande de rentabilidade dos investimentos”, diz Paulo Figueiredo, diretor de operações da FN Capital. “Precisa ter mais consolidada a recuperação econômica e a queda da inflação para poder abrir espaço para cortes mais agressivos”, diz.

E para quem toma crédito?

Para quem precisa tomar dinheiro emprestado, ainda é cedo para comemorar, dizem os especialistas. A queda na taxa de juros não deve resultar em taxas mais atraentes para o consumidor no curto prazo.

A taxa de juros cobrada do consumidor depende não só da Selic, mas também de fatores como risco de calote e busca de lucro pelos bancos, diz Dellela. “O ponto positivo é a tendência de queda na taxa.”

Veja como ficam os investimentos agora, segundo os especialistas:

Poupança melhora, mas continua ruim

  • Paga rendimento fixo de 0,5% ao mês mais TR. Com tendência de queda na taxa de juros e menos inflação, a aplicação se torna menos ruim, mas ainda não é indicada

  • Vantagem da poupança é simplicidade e isenção de Imposto de Renda e taxa de administração

  • “A poupança se torna um pouco menos pior, mas continua ruim, pois ela rende em torno de 7% enquanto as aplicações vão render perto do CDI, que acompanha de perto a taxa Selic”, diz Paulo Figueiredo

  • A poupança só se tornará mais competitiva quando a taxa de juros estiver em 9% ao ano, avaliam os especialistas

Tesouro Direto é aplicação mais indicada

  • Aplicação nos títulos do Tesouro é a mais recomendada por causa da rentabilidade e segurança

  • O Tesouro Selic, que acompanha a taxa de juros, é aplicação mais recomendada para quem não sabe quando vai precisar do dinheiro. Como sempre tem uma rentabilidade positiva, é indicado para o dinheiro de mais curto prazo. Rende 100% da taxa Selic e não sofre com a marcação a mercado, que altera o preço do papel diariamente para baixo ou para cima

  • Tesouro IPCA+, com papéis indexados à inflação, é uma opção para se proteger do custo de vida e garantir juro prefixado. Quanto maior o prazo, maior o sobe e desce do papel. “Pode oscilar mais que a Bolsa”, diz Rodrigo Assumpção. Se mantiver o título até o fim, recebe a taxa contratada

  • Tesouro Prefixado, cuja rentabilidade já é conhecida do investidor no momento da compra, é opção para diversificar. Com a queda na taxa de juros, a aplicação é recomendada

  • No Tesouro IPCA e Prefixado, preste atenção ao prazo de vencimento. Quem tirar o dinheiro antes pode perder rendimento

Foto: Novo Jornal

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