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sábado, 17 de outubro, 2026

Bebê que morreu nos braços da mãe passou mal depois de chegar de Ceinf

09/09/2016 14h40

Enzo passou por duas unidades de saúde e tomou apenas soro

Midiamax

O ambiente de trabalho do casal Flávio Maurício de Arruda Lopes, de 38 anos, e Adriana Godoy da Silva, de 26 anos, o shopping Norte Sul, em Campo Grande, foi palco de uma despedida que nenhum pai ou mãe quer ter na vida: foi ali, nesta quinta-feira (8), que morreu o filho deles, Enzo Manoel Godoy, de um ano e oito meses, depois de uma tentativa frustrada de reanimação pelos socorristas. A história, triste por si só, fica ainda mais dramática quando se sabe os fatos anteriores ao falecimento do menino.

O bebê, segundo os pais, começou a passar mal na terça-feira (6) depois de sair do Ceinf (Centro de Educação Infantil) Osvaldo Maciel de Oliveira, no Bairro Taquarussu. Desde então, passou por duas unidades de saúde públicas e iria para uma terceira, por orientação dada no atendimento nestes locais. Não deu tempo. Quando os pais pesavam em procurar um táxi, a criança começou a passar muito mal e eles decidiram pedir socorro no shopping, onde ambos trabalham. Lá, Enzo chegou morto.

No velório, obviamente muito abalado, o pai contou que a criança chegou passando mal do Ceinf, na terça-feira, com muito vômito. Os pais esperavam que o mal estar passasse, mas na quarta, no feriado, a criança continuou vomitando, apresentava diarreia e pedia água o tempo todo.

A primeira unidade de saúde procurada foi o Centro de Especialidades Infantis, recém inaugurado no bairro Guanandi. Lá, disse o pai, o atendimento foi negado e a recomendação foi procurar a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Leblon. Nela, segundo o relato de Flávio, a criança recebeu apenas soro e foi liberada, com a indicação de procurar outra UPA, da Vila Almeida. Nesse trajeto, quando eles iam pegar um táxi, Enzo piorou e morreu nos braços da mãe.

O menino já estava desacordado quando o casal tentou socorro no shopping. Bombeiros e socorridas do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) tentaram reanimar a criança, sem sucesso.

“Só deram soro pro menino e liberaram, sabendo que ele estava passando mal. Bem mal, mesmo, muito mal”, questionava o pai, nesta tade. “Porque não colocaram ele na ambulância e não levaram para a outra unidade?”, prosseguiu.

A reportagem não conversou com a mãe, que estava muito abalada. O clima no velório é de comoção, como é de se esperar.

“A gente está muito incomodado com isso e eu acho que sim teve negligência no atendimento”, afirmou Flávio.

Ele contou que, em meio uma situação tão dramática, teve de brigar para que fosse feito um exame mais detalhado na criança. “Fomos três vezes na delegacia”, citou.

Flávio e a esposa moram em Campo Grande há menos de 3 anos vindos de Corumbá. Eles têm outro filho, de 7 anos.

O caso foi registrado na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do bairro Piratininga, mas ainda não há informações sobre a investigação.

A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública) informou que vai abrir investigação sobre o caso.