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Bernardinho revela tumor maligno e pedido de demissão em 2013

20/12/2014 10h

Extirpei o tumor e estou aparentemente bem. A cirurgia completou três meses. Fico ruminando essa história, porque há um ano e dez meses não tinha problema de saúde.

UOL

O escândalo de corrupção envolvendo os chefes da Confederação Brasileira de Vôlei tem afetado o técnico da seleção masculina, Bernardo Rezende. Dono de seis medalhas olímpicas, Bernardinho, de 55 anos, fez uma revelação forte nesta semana: em entrevista à revista Veja, ele admitiu que retirou, há três meses, um tumor maligno no rim.

“Extirpei o tumor e estou aparentemente bem. A cirurgia completou três meses. Fico ruminando essa história, porque há um ano e dez meses não tinha problema de saúde. Mas a irresponsabilidade vai te maltratando e maltratando”, disse o técnico.

Bernardinho também admitiu que chegou a pedir demissão em 2013, quando soube de problemas de corrupção. Ficou no cargo, mas triste com a situação. E ainda disse, pela primeira vez, que se arrepende da briga com os jogadores pela premiação no Pan de 2007, no Rio de Janeiro: “Achei que não era correto e defendi a instituição, imaginando que realmente não houvesse como atender. Hoje eu peço desculpas publicamente porque fui enganado. Havia dinheiro, sim”.

A crise em 2007 fez o levantador Ricardinho ser cortado da equipe brasileira. Na época, era tido como um dos melhores jogadores do mundo e era ainda o capitão da seleção. Bruninho, filho de Bernardinho, acabou sendo convocado para o seu lugar.

O tumor no rim

Ainda não sei que desdobramento vai ter, mas faço aqui uma revelação. Cheguei do Mundial na Polônia e num exame de rotina descobri um tumor no rim direito. Nele havia células malignas. Extirpei o tumor e estou aparentemente bem. A cirurgia completou três meses. Fico ruminando essa história, porque há um ano e dez meses não tinha problema de saúde. Mas a irresponsabilidade vai te maltratando e maltratando. O médico do Hospital Sírio-Libanês que me atendeu disse assim: “O que tirei do seu corpo é uma metáfora do que deve ser ex­traído do país”. A sensação que tenho hoje é essa mesmo: tudo o que está acontecendo com o vôlei é uma pequena célula doente de um organismo. Pode haver mais.

O pedido de demissão

Voltei a Saquarema (RJ), a sede da confederação, e comuniquei a minha insatisfação: “Eu sei disto aqui e, se vocês não consertarem, amanhã sou demissionário e vou dizer por que estou saindo”. Aquilo me fez muito mal, apesar de garantirem que estavam cancelando os contratos sob suspeita. Não sabia se iria ao Japão para disputar a Copa dos Campeões. Acabei viajando, mas visivelmente triste, incomodado. Não queria representar aquelas pessoas.

(Não deixei a seleção) Pelos rapazes, pelos atletas. Ao contrário do que muitos dizem, não tenho essa relação patológica com o poder. Se pudesse ficar só com a equipe feminina da Unilever, ficaria. Não vou deixá-los agora, pela relação de cumplicidade.

Bernardinho é um dos técnicos mais vitoriosos da história do vôlei, mas não é só seu sucesso que chama atenção ao lado das quadras. O UOL Esporte reúne aqui as melhores imagens do traço mais emblemático do comandante de Unilever e seleção brasileira masculina: as caretas Vipcomm, Reuters, Folhapress, Adorofoto