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sábado, 17 de outubro, 2026

Bilhete de escola gera desabafo de mãe contra racismo

22/06/2016 14h20

A professora de música Débora Figueiredo ficou indignada com a nota recebida da escola em Duque de Caxias, onde os meninos estudam.

“Olá, mamãe Débora! Peço-lhe se possível aparar ou trançar o cabelinho dos meninos, eles são lindos, mais (sic) eu ficaria mais feliz com o cabelo deles mais baixo ou preso”, diz o bilhete recebido pela mãe dos gêmeos Antônio e Benício, de 3 anos, da coordenadora da escola. A professora de música Débora Figueiredo ficou indignada com a nota recebida da escola em Duque de Caxias, onde os meninos estudam.

Débora, como é comum hoje me dia, usou o Facebook para desabafar sobre o incidente: “Como eu gostaria que meus filhos não passassem por nenhum tipo de preconceito, como eu gostaria de protegê-los desse mundo cruel, como eu gostaria de afastar gente ruim travestida de bonzinhos antes que eles tivessem o desprazer de ter contato. Meus filhos Antônio e Benício foram vítimas de preconceito por causa do cabelo deles, recebi essa mensagem na agenda escrita pela coordenadora da escola que até então tinha meu respeito, daqui em diante… Eu não posso protegê-los de tudo, mas sempre vou lutar por eles”.

Ela foi procurada pela escola e, na segunda-feira, 20 de junho, esteve no colégio acompanhada de seu advogado. A diretora Eliane Nascimento, proprietária do educandário que leva seu nome, disse então que só falaria com a mãe também acompanhada de um advogado, e nova reunião foi marcada para esta quarta-feira, 22 de junho.

Eliane Nascimento defendeu o tom do bilhete e disse que ele, em intenção ou expressão, não é mostra de qualquer tipo de preconceito racial da coordenadora, que é sua filha. Segundo Eliane, há um surto de piolhos na escola, e o alerta da coordenadora foi no sentido de proteger os gêmeos, por entender que eles, com os cabelos cheios, ficam mais sujeitos a serem contaminados por colegas que têm piolhos. Segundo ela, o tema “piolho” não apareceu no bilhete porque as crianças às vezes são buscadas por outra pessoa da família, e a coordenadora não quis falar do problema diretamente.

O Globo

Bilhete de escola gera desabafo de mãe contra racismo