28/03/2017 08h40
Na recepção, militares foram informados que só havia duas plantonistas
Correio do Estado
Médica de 40 anos, foi denunciada por bombeiros depois de se recusar a atender jovem de 25 anos em trabalho de parto. O caso aconteceu na madrugada de ontem na Maternidade Cândido Mariano em Campo Grande.
Segundo informações do boletim de ocorrência, por volta de 3h41min, o Corpo de Bombeiros foi acionado para atender emergência obstétrica. Quando chegaram ao local, encontraram a jovem, que é deficiente auditiva, trancada no banheiro. A sogra intermediou a comunicação entre a paciente e os bombeiros.
Ela explicou que a jovem estava grávida de 36 semanas e “tinha perdido sangue”. Ainda segundo ela, os sintomas eram semelhantes aos da segunda gravidez, quando a vítima teve bebê prematuro.
Os bombeiros entraram em contato com a central de regulação de vagas, onde foram informados que a jovem deveria ser levada para a Maternidade Cândido Mariano.
Já na maternidade, eles foram informados pelas recepcionistas de que a jovem não seria recebida pela equipe médica porque só havia duas plantonistas naquele horário.
Os bombeiros explicaram que foram até lá depois de orientação da central de regulação. Eles disseram ainda que o bairro em que a jovem estava era distante da maternidade.
As recepcionistas tentaram falar com a médica novamente, mas voltaram com a mesma informação de que a grávida não seria atendida.
A jovem também não teve autorização para usar o banheiro do interior da maternidade e teve hemorragia pouco tempo depois.
Os bombeiros ainda pediram para, ao menos, conversarem pessoalmente com a médica para que ela visse o estado de saúde da jovem, mas ela não atendeu a solicitação.
A central de regulação foi novamente acionada e os militares foram orientados a deixarem o local e irem para a Santa Casa. Ao todo, os bombeiros perderam 20 minutos na maternidade.
Os militares conseguiram chegar a tempo no hospital, onde o bebê nasceu. Eles ressaltaram que, apesar de estarem capacitados para fazerem partos, a estrutura hospitalar diminui os riscos de complicações e morte.
Um boletim de ocorrência foi registrado e a médica será investigada por tentativa de aborto sem o consentimento da gestante.
A reportagem tentou contato com a maternidade por telefone, mas as linha estava ocupada.


