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terça-feira, 26 de maio, 2026

Brasil alcança o melhor IDH da história com índice de “muito alto desenvolvimento humano”, aponta relatório da ONU

O Brasil alcançou em 2024 sua melhor marca histórica no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), alcançando 0,805 e integrando pela primeira vez o grupo de países com “muito alto desenvolvimento humano”. O dado é o principal destaque do “Radar IDHM: evolução do Índice de Desenvolvimento Municipal e de seus componentes”, estudo lançado nesta terça-feira (26) na sede do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em Brasília (DF). 

O lançamento contou com a participação do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, do Ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, do Representante Residente do PNUD no Brasil, Claudio Providas, e do secretário-executivo da Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CNODS), Lavito Bacarissa. 

“Alcançar esse resultado positivo não é um acaso; é resultado de políticas públicas fortes e de um projeto de país inclusivo, com combate a desigualdades. Isso não nos deixa acomodados, e sim conscientes dos desafios que ainda temos pela frente”, destacou o ministro Boulos durante o evento. 

O Radar IDHM analisa a evolução do desenvolvimento humano no Brasil ao longo de 13 anos, de 2012 a 2024, abrangendo o país, os 26 estados e o Distrito Federal. O índice subiu de 0,744 para 0,805 no período, mesmo diante do recuo registrado em 2020 e 2021 em decorrência da pandemia de Covid-19. Nos anos seguintes, o índice retomou a trajetória de crescimento acelerado, saltando de 0,788 em 2022 para 0,798 em 2023, até romper a barreira do muito alto desenvolvimento humano em 2024. 

“Nos últimos anos, tivemos a conclusão de um processo de desenvolvimento em que se avançou no âmbito educacional. Tivemos um avanço na cobertura do SUS no país. Tivemos também um processo de distribuição de renda, muito vinculado às políticas de transferência de renda, de valorização real do salário mínimo e de programas sociais como o Bolsa Família. Esses dados atestam a eficácia de um programa como o Bolsa Família e do conjunto de políticas de assistência e desenvolvimento social no Brasil, que é uma política modelo em nível internacional”, complementou Boulos. 

Avanços e desafios 

O IDHM é composto por três eixos: longevidade, medida pela expectativa de vida ao nascer; educação, avaliada pelo nível de escolaridade da população adulta; e renda, calculada a partir da renda domiciliar per capita; e tem como diferencial levar os dados à escala municipal. 

Os maiores avanços proporcionais no período foram registrados em estados do Nordeste: Alagoas, Piauí e Rio Grande do Norte lideraram o crescimento do IDHM entre 2012 e 2024, consolidando uma tendência de redução das desigualdades regionais. 

“Pela lente do IDHM, o resultado desse relatório significa dados positivos: as capacidades básicas de saúde têm sido atendidas para a maioria da população e os indicadores de educação têm avançado em uma velocidade três vezes maior do que o observado no início da série, o que se dá sobretudo pelo avanço da população negra no país e como reflexo dos programas de renda mínima que permitem que famílias de renda mais baixa continuem tendo acesso à escolaridade”, analisou a economista-chefe e coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD, Betina Barbosa. 

O Radar também aponta que a população negra registrou crescimento do IDHM de 10,3% no período, ritmo quase duas vezes maior que o da população branca (5,5%), reduzindo a distância entre os grupos de 14% para 9%. Ainda assim, o IDHM da população branca (0,851) permanece uma faixa acima do da população negra (0,774) na escala do PNUD. 

“Temos dados bons e dados desafiadores, mas esses desafios são desafios de um país maduro. O país estaria com o IDHM bem mais alto se não fosse pela crise sistêmica da Covid, que afetou principalmente o eixo de longevidade”, complementou Betina.

 Agenda 2030 

O lançamento do Radar IDHM reforça o alinhamento entre os avanços mensurados pelo índice e os compromissos do Brasil com a Agenda 2030 das Nações Unidas. “O Relatório Nacional Voluntário que será apresentado no Fórum Político de Alto Nível em julho está em linha com o Radar IDHM, indicando que as políticas públicas trazem resultados substanciais para os três eixos do IDHM. O IDHM se torna mais um indicador importante que qualifica e fortalece o nosso trabalho para transformar a Agenda 2030 em políticas públicas e programas sociais”, reforçou o secretário-executivo da CNODS, Lavito Bacarissa.

 O Radar IDHM foi elaborado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com pesquisadores da Fundação João Pinheiro. O estudo completo está disponível no site do PNUD, no link

Fonte: Secretaria-Geral