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terça-feira, 25 de agosto, 2026

Brasil concentra 78% das agtechs da América Latina, mas cooperativas ainda enfrentam lacuna em tecnologia de gestão

Estudo da Embrapa mapeou 2.656 startups do agronegócio em 23 países; São Paulo, maior exportador agrícola do Brasil expõe a lacuna de gestão no cooperativismo

O Brasil reúne 2.075 das 2.656 startups voltadas ao agronegócio mapeadas na América Latina e no Caribe, o equivalente a 78% do total regional, segundo a primeira edição do Radar AgTech LAC, levantamento coordenado pela Embrapa com parceria do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). As soluções desenvolvidas por essas empresas cobrem agricultura de precisão, inteligência artificial, automação, monitoramento remoto e rastreabilidade, e o estudo aponta que o ecossistema regional está em processo de amadurecimento, com o Brasil como polo central. Uma fronteira, porém, permanece pouco atendida, a gestão das cooperativas, que operam sob regramentos jurídicos e contábeis que os sistemas disponíveis no mercado não foram construídos para atender.

O agronegócio paulista respondeu por 24% do PIB do agronegócio brasileiro e por 18,9% da economia do próprio estado em 2024, segundo o Cepea/Esalq-USP, e o estado ocupa desde aquele ano a posição de principal exportador agrícola do país, com destaque para o complexo sucroalcooleiro, carnes, soja e sucos.

Cooperativas agropecuárias operam cadeias que vão da originação do produtor rural à comercialização no mercado externo, muitas vezes apoiadas em sistemas desenvolvidos para empresas tradicionais, que nem sempre contemplam as especificidades jurídicas, contábeis e tributárias do cooperativismo. Para Luis Carlos Crema, CEO da SOLTERRA Soluções Inteligentes, essa lacuna ainda representa um dos principais desafios da transformação digital no setor. “Apesar do avanço das tecnologias voltadas à produção agrícola, a gestão das cooperativas ainda dispõe de poucas soluções desenvolvidas especificamente para as particularidades do modelo cooperativista”, diz.

Reforma tributária muda a gestão no campo

A partir de 2027, o PIS e a Cofins se extinguem e entra em vigor a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), inserindo o produtor rural no circuito de tributação pela primeira vez, e produtores que faturam acima de R$ 3,6 milhões por CPF tornam-se contribuintes obrigatórios, o que faz com que a capacidade de gerar e aproveitar créditos tributários passe a interferir diretamente nas negociações com cooperativas, cerealistas e agroindústrias.

Em 2026, empresas e cooperativas ainda têm a oportunidade de ajustar processos antes da entrada em vigor das novas regras, período em que falhas podem ser corrigidas sem aplicação das penalidades previstas. “O produtor rural passará a integrar um novo modelo tributário sem experiência anterior nesse ambiente. Se não houver integração entre a gestão da fazenda e da cooperativa, muitos só perceberão o impacto financeiro depois que ele ocorrer. Quanto antes essa organização for feita, menor tende a ser o efeito no caixa da safra”, afirma Crema.

Fonte: [email protected]