Receita Federal aponta que a falta de integração entre as aduanas de Brasil, Paraguai, Argentina e Chile pode causar atrasos no transporte de cargas e comprometer a eficiência do corredor logístico.
A Receita Federal apresentou um estudo que aponta a burocracia nas aduanas como um dos principais desafios para o funcionamento da Rota Bioceânica. Segundo o levantamento, sem integração entre os sistemas de fiscalização do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, o corredor logístico poderá enfrentar atrasos no transporte de mais de 2 mil caminhões por dia.
A ponte entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta, no Paraguai, principal obra do projeto, deve ser concluída ainda em julho de 2026.
A estrutura é fundamental para viabilizar a Rota Bioceânica rodoviária, uma megaestrada que possibilitará a ligação do oceano Atlântico ao Pacífico, no Chile, tendo Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, como ponto de saída do Brasil.
Apesar da conclusão da ponte, a Receita Federal afirma que a obra, sozinha, não garante o funcionamento eficiente da Rota Bioceânica. Segundo o órgão, o principal desafio será integrar as aduanas dos quatro países para evitar que a burocracia elimine o ganho de tempo previsto com o novo corredor.
“Há alguns desafios, principalmente no norte do Paraguai, uns 200 quilômetros ali que precisam de melhoria de estrada. (…) Mas, mais importante do que isso, é a integração das aduanas. Porque perceba, não adianta você ganhar 15 dias, por exemplo, em relação a outros percursos e perder 20 dias com burocracia de quatro aduanas diferentes. Nós temos a aduana brasileira, paraguaia, argentina e chilena envolvidas. Então, a gente tem um desafio também de integração”, afirmou Robinson Barreirinhas, secretário especial da Receita Federal.

Hoje, as cargas passam por diferentes etapas de fiscalização na importação e na exportação.
- No canal verde, a liberação é automática;
- No canal amarelo ou laranja, nas exportações, há conferência dos documentos, com prazo de até 72 horas;
- Já no canal vermelho, além da análise documental, é feita a vistoria da carga, e a liberação pode levar até 120 horas.
Além dessas etapas, os caminhões podem passar por escâneres e outras inspeções, conforme a análise de risco de cada operação.
Segundo a Receita Federal, simplificar esses procedimentos será fundamental para garantir o funcionamento da Rota Bioceânica.
O corredor terá mais de 3 mil quilômetros, ligando o Porto de Santos aos portos do Chile. A expectativa é reduzir o tempo do transporte internacional de cargas em até 17 dias.
A segurança também faz parte do planejamento da Rota Bioceânica.
A estratégia prevê o compartilhamento de informações entre a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e as forças de segurança do Paraguai, da Argentina e do Chile para reforçar o combate ao narcotráfico e ao contrabando, sem prejudicar o transporte de cargas.
“Nós sabemos que hoje as organizações criminosas sempre buscam novas formas de atuação e, nesse momento, com a rota, se abre essa possibilidade. Então, a PRF, em conjunto com outros órgãos de segurança pública, vai coibir de maneira eficiente esse possível avanço das organizações criminosas. Inclusive, temos uma programação para os próximos meses (…) também o compartilhamento das práticas adotadas pela Polícia Rodoviária Federal”, afirmou Nádia Zilotti, diretora de operações da PRF.
Fonte: G1 MS


