Jovem que cuidou do cãozinho na calçada disse que não removeu o animal por medo de machucá-lo e pediu ajuda na clínica. Em nota, a clínica informou que o cão não foi atendido por não ter sido levado até o local por um responsável.
05/02/2019 06h10 – G1 MS
Na manhã desta segunda-feira (4), na avenida Júlio de Castilho em Campo Grande (MS), por volta de 7h, uma movimentação chamou a atenção da estudante Lara Luana, que pensou tratar-se de um acidente. Cerca de uma hora depois ela passou pelo local a pé, acompanhada pela mãe, e viu um cachorro deitado na calçada. O animal havia sido atropelado. O caso aconteceu em frente a uma clínica veterinária.
“Eu não recolhi o cãozinho porque fiquei com medo de machucar mais, ele não estava respirando direito e parecia sentir muita dor. É a mesma orientação para um humano quando sofre acidente, a gente não mexe na pessoa, por isso minha mãe foi pedir ajuda na clínica, para algum veterinário ou alguém vir ajudar”, relata a estudante.
Segundo Lara, a atendente da clínica disse que não poderiam fazer nada porque o animal era de rua, não tinha um responsável. “Minha mãe disse que não precisaria fazer nada de graça, que íamos arcar com o custo, mas mesmo assim, disseram que ele não poderiam se responsabilizar por um animal de rua”, conta.
Em nota, a clínica Companhia dos Bichos informou que a atendente explicou às pessoas que pediram ajuda que o cão só poderia ser atendido se fosse levado até a clínica: “Foi informado que o animal deveria ser trazido à clínica por seu proprietário ou pessoa que por ele se responsabilizasse. […] Em nenhum momento o animal foi levado até a clínica para atendimento ou tratamento”.
A estudante, por outro lado, questiona a atitude dos profissionais da clínica: “O acidente aconteceu ali na frente, do outro lado da rua. Era uma vida, um cãozinho em sofrimento, se as pessoas de outros comércios saíram para ajudar, um profissional de uma clínica veterinária que saberia como lidar, não poderia fazer o mesmo?”.
Lara conta que outras pessoas que acompanharam a história ofereceram-se para ajudar com os custos do tratamento do cãozinho. Ela decidiu adotá-lo e deu-lhe, ali mesmo, o nome de Jorel. “O cachorro havia sido atropelado há mais de uma hora. Se ele tivesse sido atendido, talvez estivesse vivo agora e pronto para ganhar uma família, mas infelizmente não deu tempo”, lamenta.
Jorel morreu ali, na calçada. Lara diz que sentiu-se útil por estar com ele, pelo menos, naquele momento. “Cuidei dele até o último suspiro. Não entendo como uma pessoa pode saber que há um cão em sofrimento e não fazer nada, por uma questão de burocracia”. O caso ganhou repercussão com o post de Lara no Facebook. A clínica afirmou em nota que vai buscar a Justiça “para investigar civil e criminalmente os responsáveis por essa campanha de difamação”.


