04/07/2016 06h30
Corpo encontrado esquartejado, estado de calamidade e greves causam repercussão negativa
A apenas um mês do início dos Jogos Olímpicos de 2016, o mundo assiste com apreensão os preparativos para o evento, cujo roteiro tem sido marcado por confusões, crise política, acidentes, violência e epidemias de zika, dengue e chikungunya.
A cada dia, na cidade que virou um turbilhão, absorvendo o clima de tensão que assolou o país, uma novidade surge para dar um toque a mais nesse enredo, a ponto de jornais do mundo inteiro demonstrarem sua incredulidade em relação às autoridades e à estrutura da competição, que reunirá mais de 10 mil atletas, entre 5 e 21 de agosto próximo. Em seguida haverá os Jogos Paralímpicos, entre 7 e 18 de setembro.
Veículos como CNN, The New York Times, Independent estão assustados com a turbulência na cidade e no País. Publicam diariamente textos que demonstram o estado de desânimo e de estupefação com o atual estágio em que se encontra o que outrora foi conhecida pelo mundo como “Cidade Maravilhosa”.
Mais um chocante fato serviu para dar um tempero mórbido ao que deveria ser o encanto que prenuncia um grande acontecimento. Na tarde do dia 29 de junho um corpo foi encontrado esquartejado em plena praia de Copacabana, maculando com sangue e horror a “Princesinha do Mar”, em local próximo das obras da arena de vôlei de praia.
Com destaque, a rede CNN, por exemplo, trouxe em seu site a seguinte manchete a respeito do trágico ocorrido: “Semana de horror no Rio: Partes de corpo são encontradas perto da arena de vôlei de praia”.
O episódio ocorreu em meio ao decreto de calamidade pública instaurado pelo governador em exercício, Francisco Dornelles, no dia 17 de junho, pelo fato de o Estado não estar conseguindo arcar com custos e com pagamento de servidores. A saúde, por exemplo, vive verdadeiro caos, com um deficit de pelo menos R$ 1,4 bilhão.
Em matéria do The New York Times, de autoria da jornalista Vanessa Barbara, a situação é vista como extremamente preocupante. O artigo tinha a seguinte manchete: “A catástrofe olímpica do Brasil”, acompanhada de uma ilustração, em movimento, que trazia uma fumaça escura encobrindo símbolos da cidade.
A verba adicional vinda do governo federal, em função do decreto, possibilitará o término de obras no metrô, por exemplo, que corre o risco de não ter concluída a construção do trecho olímpico da Linha 4 a tempo para o evento.
Quando a cidade foi escolhida, há sete anos, um clima de entusiasmo se espalhou pelo país. Em conversa com o R7, o ex-levantador Maurício Lima, bicampeão olímpico de vôlei pelo Brasil (1992 e 2004), se lembra bem deste estado e vê a atual situação com um tom de lamentação.
É triste ver tudo isso que está acontecendo. Quando fomos escolhidos passávamos por um momento muito bom da economia, crescendo como a China. Não poderíamos declinar, mas nunca imaginávamos que iríamos passar por tantas dificuldades como as que estão ocorrendo.
O IML (Instituto Médico Legal), também está sem condições de funcionamento. A instituição parou de receber corpos no dia 7 de junho, devido à condição insalubre que impossibilitava o trabalho dos funcionários.
Em abril último, a ciclovia Tim Maia, inaugurada apenas três meses antes desabou e deixou dois mortos. A perícia posteriormente informou que a causa da queda foi uma falha no projeto. Para Maurício, o panorama mudou desde então.
Depois o País caiu nessa crise que todo mundo conhece. Em termos internacionais o Brasil já está muito manchado em relação a isso. Temos zika, chikungunya, qualquer coisa que vem para cá está dando problema. Há preocupação muito grande da imprensa internacional e dos atletas, que estão receosos quanto a isso.
Assaltos, tiroteios nos morros, ameaça de terrorismo também fazem parte do cenário que antecede o maior espetáculo esportivo do mundo. Em outras ocasiões, cidades como Sydney (2000), Pequim (2008) e Londres já estavam em clima de comemoração a essa altura.
No dia 30 de junho, novo episódio arranhou ainda mais a imagem da cidade. Equipamentos de duas emissoras alemãs, que serão usados na cobertura dos Jogos foram roubados na avenida Brasil, zona norte, e depois encontrados em galpão na Baixada Fluminense.
Acho que vai dar certo porque o clima de não tanto calor vai ajudar em relação à zika e chikungunya. Em termos de violência é um pouco mais complicado. O País todo está preocupado com o Rio, com todas essas notícias assustadoras, mas vão colocar o Exército nas ruas como aconteceu em grandes eventos.
As 33 instalações olímpicas, em quatro regiões (Barra, Deodoro, Copacabana e Maracanã) será de responsabilidade do governo federal, que enviará cerca de 10 mil homens da Força Nacional para comandarem a segurança dos Jogos, que terão participantes de 206 países.
Infelizmente será algo paliativo, acabou a Olimpíada o problema vai voltar. Em relação a legado, é complicado. Já deveria estar se formando e existindo agora. A única coisa que poderá existir será a utilização de complexos esportivos. Mas legado vai além disso, é algo cultural em relação ao esporte, e também social. Esses, eu acho difícil existirem.
Fonte: R7


