22 C
Ponta Porã
segunda-feira, 19 de outubro, 2026

Caos toma conta da BR 262 trecho Três Lagoas/Água Clara devido o péssimo estado de pavimentação

16/10/2017 19h

A recuperação está lenta e pode demorar a chegar no trecho citado.

Divulgação (TP)

O governo federal do presidente Michel Temer (PMDB) criou uma forma de monitorar a situação de conservação das rodovias sob sua administração. Segundo o Indicador de Qualidade das Rodovias Federais (ICM), 67% da malha estão em boas condições. Do restante, 20% está em situação regular, 7% em situação ruim e 5% em estado péssimo. O resultado é relativo ao quadro geral das rodovias no primeiro semestre de 2017.

Estados

Os estados com as rodovias federais em melhores condições são Amapá (98% em bom estado), Bahia (82%), Roraima (82%), Distrito Federal (85%) e Piauí (83%). Em pior situação estão Acre (32%), São Paulo (43%), Mato Grosso do Sul (53%), Sergipe (56%) e Ceará (56%).

Os motoristas que residem ou trabalham na região de Três Lagoas estão sofrendo, e muito, com a situação das rodovias que cortam os municípios daquela região e pelo que se vê, nem mesmo o desenvolvimento que está acontecendo com a instalação de grandes fábricas e empresas prestadoras de serviço é motivo para que a qualidade dos asfaltos seja melhorada.

A BR 262, no trecho que liga Três Lagoas, divisa com o estado de São Paulo, à Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, pode-se dizer que está enquadrada nos 5% das estradas que estão em estado péssimo e a cada dia a situação fica pior ainda.

A reportagem do site Pontaporainforma, durante conversa com um Policial Rodoviário Federal que estava de serviço no posto ao lado da rodovia, foi informada que seria preciso muito cuidado para transitar pela rodovia, que está completamente esburacada sendo que a recuperação está sendo feita, mas que está vindo de onde a rodovia está em melhores condições e não no trecho que realmente deveria estar sendo recuperado.

A distancia entre Três Lagoas e Água Clara é de 134 Km, local em que o motorista tem que rodar na velocidade máxima de 30 ou 50 km devido o estado da rodovia. Os motoristas ainda tem que dividir espaço com os caminhões bi-trem que usam a péssima estrada, cheias de buracos, apertada e sem acostamento. Claro que os caminhões estão transitando a trabalho e gerando impostos e renda para o país, e também estão sendo vítimas com a situação das rodovias, pois o numero de caminhões quebrados ao lado da estrada e nas oficinas a margem da rodovia também é grande.

Em um trecho em torno de 50 km da rodovia que está sendo feito a recuperação, a empreiteira ainda não fez a sinalização, deixando os motoristas perdidos e tendo que ter a atenção redobrada por causa de mais este problema.

Conversando com um dos usuários da rodovia BR 262, ele até questionou o porque da Senadora Simone Tebet (PMDB), que é da região e do mesmo partido do Presidente Michel Temer, dizendo: “A senadora tem que se posicionar sobre o estado da BR e cobrar mais agilidade da empresa que esta fazendo a obra, isso para o bem dos usuários”, questionou o cidadão.

De acordo com o diretor presidente da Setlog MS (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de MS), Claudio Cavol, os motoristas optam pelo trajeto que passsa por Bataguassu pela qualidade da via.

“Se você for de Campo Grande para São Paulo, Capital, a distância é quase a mesma. Mas a condição das estradas de Nova Alvorada até Bataguassu é melhor do que a de Três Lagoas. A BR- 262 é mais perigosa, sem acostamento ou com acostamento em péssimas condições”, disse.

Cavol comentou que mesmo a praça de pedágio que existe na BR-163 (no trecho entre Campo Grande e Nova Alvorada do Sul, quando então é feito o acesso á 267) não impede que os motoristas optem por ela.

“O pedágio não influencia porque é apenas uma praça a mais do que no outro trajeto, e as condições serem melhores do que na outra faz com que o motorista prefira pagar a mais”.

Acidentes na BR 262

De janeiro a setembro deste ano, a Polícia Rodoviária Federal registrou 180 acidentes na BR-262, no trecho entre Três Lagoas e Campo Grande. Desse total, 45 foram considerados graves, e 17 mortes registradas. Os números equivalem a uma media de 20 acidentes por mês.

Somente nos seis primeiros dias de outubro, 21 acidentes foram registrados na rodovia. Dois na tarde de desta sexta-feira (6), com duas mortes. De acordo com a PRF, é considerado acidente grave, aquele que resulta em pelo menos uma pessoa com lesões grave ou em óbito.

O pior trecho da estrada é o que liga a Capital Nacional da Celulose ao município de Água Clara. Os buracos na pista seriam um dos motivos das causas dos dois últimos acidentes registrados na rodovia. A rodovia ficou sem manutenção por quase 60 dias desde que o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) encerrou o contrato com a empresa que executava o serviço.

Na quinta-feira (5), porém, a empresa Pavidez de Minas Gerais iniciou o serviço de tapa-buracos na BR-262. A empresa foi vencedora da licitação para a manutenção do pavimento, que se encontra bastante deteriorado e que tem contribuído diretamente para as causas dos acidentes.

De acordo com o engenheiro regional do Dnit, Milton Rocha Marinho, os serviços foram iniciados nas proximidades do quilômetro 80, na região do Parque do Pombo, onde ocorreram os dois últimos acidentes. Segundo Marinho, a previsão é de que nos próximos 15 dias, os principais buracos da estrada estejam eliminados com o serviço emergencial. A intenção é proporcionar mais segurança e melhores condições de trafegabilidade na rodovia. A empresa, segundo o engenheiro, está iniciando a mobilização dos equipamentos e contratação de funcionários, mas já teria iniciado os trabalhos com duas equipes. “Em curto espaço de tempo vamos ter uma rodovia em boas condições de tráfego”, destacou.

RESTAURAÇÃO

O serviço de manutenção e tapa-buracos é considerado um paliativo, já que o pavimento será melhorado mesmo, com as obras de restauração da rodovia, que vão começar apenas no ano que vem. O Consórcio Ethos/Pavidez/Spazio foi o vencedor da licitação para executar essa obra, orçada em R$ 149,9 milhões. No entanto, as obras devem ser iniciadas apenas em abril. A empreiteira terá seis meses para entregar o projeto executivo.

A rodovia ganhará 32 quilômetros de terceira faixa, que serão construídos nos trechos mais complexos da rodovia, distribuídos em rampas e curvas. O projeto prevê ainda dispositivos de segurança, como interseções e travessias.

Foto: Correio do Estado

Passagem sobre o Rio Parana na BR-163Foto: Reprodução

Registro de de acidente da BR 262Foto:: Ana Carolina Kozara