23/11/2014 08h10
Naquele ano, todos passaram a viver juntos na mesma casa em Strömsund, no norte da Suécia.
BBC Brasil
“Somos uma família de oito pessoas: mamãe, papai, papai e cinco filhos. Vivemos em um relacionamento de três adultos, no qual os três se amam”.
A declaração feita pela sueca Linda Fridland, em um programa do canal de televisão TV4, criou uma polêmica sobre o conceito tradicional de família na Suécia, debate que também vem ocorrendo no Brasil.
Linda Fridland e o marido Erik viviam juntos havia 15 anos quando conheceram, em 2012, Hampus Engström na empresa de táxi em que trabalham. Foi quando os três se apaixonaram.
Linda e Erik já tinham quatro filhos. Hampus era pai de uma menina de três anos e se separaria da mulher pouco depois.
Naquele ano, todos passaram a viver juntos na mesma casa em Strömsund, no norte da Suécia.
“A família formada por um homem, sua esposa e seus filhos ainda é o conceito predominante. Mas, hoje em dia, as pessoas estão mais abertas ao fato de que existem outras formas de se viver”, diz Linda, que criou um blog para contar como é a relação a três.
O caso de Linda e seus dois maridos ainda é, no entanto, um tabu, mesmo na progressista Suécia, onde várias fronteiras se romperam ao longo dos anos no tradicional conceito de família.
Na literatura infantil sueca, tornaram-se comuns as histórias de filhos de casais homossexuais – crianças com dois pais ou duas mães.
Desde 2003, casais homossexuais têm o direito de adotar crianças, e lésbicas têm acesso a subsídios estatais para tentar engravidar por meio de tratamentos de fertilização.
A Suécia foi o primeiro país do mundo a aprovar, em 1944, uma lei que legaliza a homossexualidade e que perdura até hoje – na Rússia, atos homossexuais foram legalizados apenas entre 1917 e 1930, ficando proibidos até 1993, quando foram novamente autorizados. Em 2009, o governo sueco também legalizou o casamento gay.
Mas a noção de poliamor e de poligamia ainda enfrenta barreiras, como demonstram as várias páginas de artigos de jornais dedicados na Suécia a debater o caso de Linda, Erik e Hampus.
“O que parece incomodar mais as pessoas é o fato de ser uma relação entre uma mulher e dois homens, e não o contrário. É como se pensassem ‘ela não se contenta com um só’. Mas é um equívoco”, destacou Linda em entrevista ao jornal Aftonbladet.
“Não sou eu que tenho dois maridos. Somos nós três que temos dois cônjuges.”


