04/07/2017 07h20
Cúpulas partidárias administram a situação no silêncio e protelam reuniões em Mato Grosso do Sul .
Conjuntura Online
O cenário turbulento por conta de denúncias de corrupção retarda as articulações políticas em torno da sucessão do governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB).
Por causa disso, as cúpulas partidárias administram a situação no mais absoluto silêncio e têm protelado convocar reuniões a fim de discutir qual o destino a tomar com vistas às eleições do ano que vem.
Antes disso, porém, o partido mais empolgado era o PMDB, que promovia reuniões periódicas na Capital e no interior na tentativa de dar sobrevida ao projeto de André Puccinelli de disputar o governo do Estado pela terceira vez.
Como o ex-governador voltou à cena política numa situação indesejável e até foi forçado a usar tornozeleira eletrônica por alguns dias, o clima esfriou nos quadros peemedebistas.
Zeca do PT, por sua vez, também fala em renovação nos quadros da legenda, na qual tomou posse em 22 de junho.
Durante o ato, o deputado federal reafirmou a sua disposição de lançar candidatura a uma das duas vagas do Senado, ocupadas atualmente por Waldemir Moka (PMDB) e Pedro Chaves (PSC), e destacou que seu papel será construir uma aliança democrática.
Há dias, o PSDB reuniu apenas a sua ala feminina, o “PSDB Mulher”, para aprovar uma Moção de Repúdio contra o deputado estadual Pedro Kemp (PT), alegando agressões a colega tucana Mara Caseiro (PSDB).
O presidente regional do partido e secretário de Fazenda, Márcio Monteiro, participou do encontro, mas teme evitado em falar sobre a sucessão de Reinaldo Azambuja, em pré-campanha pelo interior do Estado sob pretexto de estar entregando obras nos municípios.
O presidente regional do PTB, ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad, também interrompeu suas andanças pelo interior.
Outros partidos, como PSB e PDT, têm aventado a possibilidade de lançar a candidatura do médico Ricardo Ayache e do juiz federal Odilon de Oliveira, respectivamente. Mas nada de concreto.
DELAÇÕES
As acusações feitas à PGR (Procuradoria Geral da República) como parte do acordo de delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do Grupo JBS, inibiram as movimentações políticas comumente intensificadas no período que antecede o pleito.
Os dois delatores acusam os ex-governadores Zeca do PT e André Puccinelli (PMDB), além do atual governador, de participarem de um esquema de propina em troca de benefícios fiscais a frigoríficos pertencentes ao grupo. Todos negam o envolvimento.
Até agora, a reação mais contundente foi feita por Reinaldo Azambuja, que além de processar os desafetos, provocou uma tremenda rebelião política em nível nacional ao pedir o afastamento do ministro Edson Fachin, da relatoria da Operação Lava Jato.
O tucano alega que Fachin não deveria ter sido designado sequer para homologar (validar) a delação, por não haver conexão entre boa parte dos casos narrados pelos executivos da JBS com os desvios na Petrobras, principal foco da Lava Jato.
“Não são todos os fatos e elementos constantes da colaboração premiada dos Irmãos Batista e seus funcionários que se relacionam à operação Lava-Jato, a ponto de definir a prevenção [em favor de Fachin]”, diz trecho do pedido.
Para Azambuja, deveria ter ocorrido um sorteio entre os 11 ministros do STF para definir quem seria o relator. A defesa cita outras vezes em que o próprio STF decidiu tirar casos da Lava Jato por entender que o fato de terem surgido em delações ligadas ao caso não tratavam dos mesmos assuntos.
Segundo os delatores da JBS, Azambuja e o ex-governador André Puccinelli, receberam R$ 150 milhões entre 2007 e 2016 em troca de benefícios fiscais para a empresa. Como governadores não são processados no STF, Edson Fachin enviou as informações para o STJ (Superior Tribunal de Justiça).



