Um levantamento obtido com exclusividade pela equipe de produção da TV Morena mostra que, apenas no mês de junho, até a última quarta-feira (23), 67 pessoas morreram em Unidades de Saúde de Pronto Atendimento (UPA’s) e em Centros Regionais de Saúde (CRS’s) de Campo Grande esperando leitos de Covid em hospitais.
Segundo o assessor para assuntos institucionais da Defensoria Pública, Pedro Paulo Gasparini, o órgão, somente nos últimos dois meses, recebeu 110 pedidos judicializados para UTI’s Covid em todo o estado de Mato Grosso do Sul. Somente no mês de junho foram cadastrados 39 pedidos, sendo 29 da capital.
Das mortes registradas nas Unidades de Saúde de Campo Grande no mês de junho, 14 pessoas tinham idades entre 40 a 59 anos. Conforme dados do levantamento, 53 pessoas que morreram, tinham idades que variavam entre 60 a 90 anos. A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul pediu informações para saber qual é o critério da regulação de vagas para destinar leitos de UTI’s para pacientes que estão esperando esse atendimento.

A Secretaria de Saúde de Campo Grande (Sesau) informou que a maioria das mortes registradas nestas unidades é de pessoas que já dão entrada em estado crítico, não havendo tempo para estabilização e transferência.
Ainda de acordo com a Sesau, no início da pandemia, essas unidades de urgência e emergência foram estruturadas para atender alta demanda de pacientes e passaram a contar com equipe multidisciplinar de profissionais, para garantir assistência a quem chega com quadro crítico. O órgão ainda afirmou que Campo Grande ampliou em 215% o número de leitos de terapia intensiva e que nenhum paciente padeceu por falta de assistência do município.
Tânia Martins da Silva, contou que chegou com a mãe, Dona Dilse, na UPA Vila Almeida no dia 24 de maio para se tratar de Covid-19. Lúcida e vacinada com as duas doses da Coronavac, 2 dias depois foi intubada. Tânia conta que entrou com pedido de vaga na Defensoria e o juiz concedeu, mas a paciente não foi transferida para um hospital.
“Eu chegava lá e o médico falava que minha mãe precisava de uma vaga e que ela tinha que sair dali [UPA]. Eu via, que eles passavam os mais novos na frente e os mais velhos ficavam. Outros 3 idosos com idades de 70 a 80 anos faleceram junto com minha mãe. Os mais novos eram passados a frente, mesmo eu tendo uma liminar do juiz”, lamenta.

Nem sempre a determinação do juiz para obter vaga em hospitais privados ou internação imediata no sistema público é cumprida. Dona Dilse, por exemplo, morreu 12 dias depois de ser internada na UPA. Na justificativa das mortes nas UPA’s e CRS’s, os profissionais de saúde registraram o cancelamento do pedido de vagas no sistema. A Dona Dilce era o número 15.
Ainda de acordo com o levantamento da lista de mortes, no dia 3 de junho uma pessoa de 71 anos morreu e foi pedido o cancelamento da solicitação. No mesmo dia em que Dona Dilse perdeu a batalha para a Covid, outro paciente com 92 anos faleceu e também foi pedido o encerramento da ficha core, que é o sistema de regulação de urgência pedindo vagas para UTI.
O assessor da Defensoria Pública, Pedro Paulo Gasparini, afirmou que o órgão busca ser transparente com a população para que todos possam entender como funciona o sistema público de saúde. “Estamos investigando para que a gente possa ter uma solução para essa situação na Central de Regulação tanto do estado quanto do município”, finaliza.
Fonte: G1 MS

