
Técnicos da gestão de Marçal Filho (PSDB) em Dourados confirmaram que, ao longo de 2025, o município zerou as metas de prevenção ao Aedes aegypti por meio das visitas domiciliares.
O mosquito é o principal vetor da chikungunya. Dourados é, atualmente, o epicentro da crise epidemiológica para a doença no Estado, com mais de 2 mil notificações, mais de 30 hospitalizados e 5 mortes.
Segundo o relatório apresentado há cerca de um mês na Câmara de Vereadores, a meta da Secretaria de Saúde era realizar quatro ciclos de visitas domiciliares anualmente, com 80% dos imóveis visitados para controle de doenças como a chikungunya e dengue. No entanto, os três quadrimestres demonstram zero resultado.

O vereador Franklin Schmaltz (PT) disse na quarta-feira (1º) ao Jornal Midiamax que os agentes de combate de endemia estão alertando para uma possível epidemia desde o ano passado. A categoria apresenta déficit de pessoal de aproximadamente 40 agentes.
“Atualmente, cerca de 40% do território do município está descoberto, ou seja, não tem recebido visitas regulares dos agentes, que são essenciais para o controle de vetores e focos do mosquito. Trata-se de ação preventiva, mas que agora a debilidade está mostrando consequências”, afirmou.
Somente neste ano, em uma vistoria em 2.255 moradias nas aldeias Jaguapiru e Bororó, foram encontrados 589 focos de larvas do mosquito Aedes aegypti.
A ação foi feita pela Secretaria Municipal de Saúde com a participação conjunta de outras pastas da administração municipal, do Governo do Estado, da Prefeitura de Itaporã, da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) e do Distrito Sanitário Especial Indígena.
Dessas casas visitadas, 1.156 necessitaram de tratamento químico, enquanto outras foram submetidas à borrifação com equipamentos específicos.
Falha da prefeitura gera acúmulo de lixo
O parlamentar afirmou ainda que a coleta de resíduos sólidos na Reserva Indígena ocorre por meio de caçambas instaladas em pontos específicos, geralmente em escolas, postos de saúde e vias principais, distantes das residências, em quantidade insuficiente para atender à comunidade.
“A coleta é irregular e pouco frequente, podendo demorar dias ou até semanas, o que gera acúmulo de lixo. Diante disso, muitos moradores acabam queimando, enterrando ou armazenando os resíduos, por falta de alternativa adequada. Ressalta-se que não há informações públicas claras e acessíveis sobre a organização, cronograma e cobertura do serviço”, destacou.
Segundo Franklin, o Contrato nº 138/2022/DL/PMD, da Prefeitura Municipal de Dourados, prevê que a coleta e destinação dos resíduos acondicionados em sacos, caçambas ou recipientes deve ocorrer em até 12 horas, além de estabelecer a execução dos serviços de forma contínua (diária, semanal e mensal) e a realização de mutirões periódicos.
“Até o momento, nenhuma ação de retirada de lixo e entulhos foi realizada na Reserva Indígena por parte da prefeitura municipal. Não é uma situação isolada, mas um problema estrutural grave. Em plena epidemia de chikungunya, comunidades indígenas continuam convivendo com lixo acumulado, coleta irregular e acesso precário aos pontos de descarte, enquanto há um contrato milionário de limpeza urbana em vigor, que não está sendo cumprido como deveria”, sustenta o parlamentar.
A reportagem acionou a prefeitura para explicar os motivos da não realização de visitas preventivas, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para manifestação.
Fonte: Midiamax
