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domingo, 18 de outubro, 2026

Com real desvalorizado, estrangeiros cruzam fronteira e compram no Brasil

13/10/2015 09h30

Durante anos, brasileiros iam aos países vizinhos para comprar mais barato.

G1

Durante muitos anos, nós nos acostumamos com os brasileiros que cruzavam a fronteira pra comprar mais barato nos países vizinhos. Com a nossa moeda perdendo valor, esse movimento está se invertendo.
É tanto carro com placa boliviana que nem parece que é Corumbá. Nas lojas, o sotaque é andino. Gisele Ribeiro tem comércio em Santa Cruz de la Sierra e foi comprar o estoque no Brasil. ” Antigamente, os brasileiros que iam pra lá comprar. E agora nós que viemos pra cá. E agora com esses preços, não precisa nem ir a São Paulo”, diz a microempresária.

A gerente da loja está feliz da vida. “O fluxo já era intenso, mas ele aumentou cerca de aproximadamente 70%. Não, a crise não chegou aqui, graças a Deus”, comemora Ticiane Leite.

Um marco separa os dois países e durante muito tempo o caminho das compras era esse: o brasileiros iam para o Paraguai e enchiam as lojas. Agora está tudo vazio. E são os paraguaios que estão atravessando a fronteira para aproveitar os preços em real.

“Há segmentos aqui em Ponta Porã, para você ter noção, que já cresceu mais de 200%, 300% o seu faturamento. Supermercados, postos de combustíveis, todo lado, eles estão agora invadindo o comércio”, aponta o presidente da Associação Comercial de Ponta Porã, Eduardo Gauna.

“Economiza na base dos 30%, até 40% comprando aqui”, conta um homem.

Com a desvalorização do real, o guarani, moeda paraguaia, está valendo mais. E, se no Paraguai o pagamento tem de ser a vista e cotado em dólar, no Brasil comprar parcelado virou atração divulgada até na rádio.

Os comerciantes brasileiros criaram um sistema de crédito para os paraguaios e compartilham informações com o país vizinho. “Eles trazem o comprovante de residência, as empresas paraguaias cadastram eles no sistema SPC. Tiramos o SPC, uma análise de crédito normal, igual como se fosse para os brasileiros”, explica o gerente de loja Luiz Henrique Melo.

Nos supermercados, os paraguaios enchem os carrinhos. “Todas as coisas estão baratas, até carne está barata”, conta uma mulher.

“Aqui a nossa senha todo dia é mil, mil pessoas. Passa de mil até”, destaca um açougueiro.

foto: Reprodução da TV Globo

foto: Reprodução da TV Globo