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domingo, 18 de outubro, 2026

Comissão de juristas discute direitos televisivos e uso de imagens

10/12/2015 08h

Ele ressaltou que é preciso definir melhor a quem pertence os direitos de arena, já que a legislação como está hoje é confusa e permite diversas leituras.

Agência Senado

Em audiência na segunda feira (7), a comissão de juristas encarregada de elaborar um anteprojeto da Lei Geral do Desporto Brasileiro considerou os direitos televisivos, a distribuição dos recursos do chamado direito de arena e as apostas esportivas tópicos fundamentais que devem ser incluídos no atual debate.

O tema “direitos televisivos” é o mais importante da discussão do esporte hoje no mundo. Destaco a necessidade de regulação em lei sobre esses aspectos, tanto pelos princípios esportivos, mas também para garantir a igualdade entre os competidores envolvidos — disse o relator Wladimyr Camargos.

Pedro Trengrouse, professor da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), considerou a questão complexa por tocar no modelo de negócio do esporte.

Ele ressaltou que é preciso definir melhor a quem pertence os direitos de arena, já que a legislação como está hoje é confusa e permite diversas leituras.

O advogado Luiz Felipe Santoro, quis saber por que somente a transmissão de imagens é incluída no direito de arena.

Segundo ele, diversas rádios vendem publicidade e têm lucro transmitindo futebol. Mas esses recursos não chegam para as equipes e atletas via direito de arena.

Santoro também considerou relevante discutir a natureza jurídica do direito de arena: civil ou indenizatória, remuneratória ou salarial.

Flagrantes de imagem

A comissão ainda apontou a necessidade de maior rigor sobre o uso dos flagrantes de imagem, protegendo o direito de expressão e a liberdade de imprensa, mas com a preocupação de que não se tornem uma prática abusiva.

A lei atual determina que os flagrantes de imagem não podem exceder 3% do total do tempo de espetáculo ou evento.

São aqueles trechos de imagem de competição que são hoje fornecidos às televisões que não têm o direito de transmissão. Discutimos que tenham um maior disciplinamento — explicou Wladimyr.

Os debatedores também ressaltaram a importância de discutir sobre os direitos de transmissão das imagens na internet.

O relator ponderou que a atual Lei Geral do Esporte foi escrita em um período que não havia a internet e a portabilidade. Segundo ele, a comissão tem a chance de olhar o fenômeno da comunicação com o olhar da contemporaneidade.

Concorrência

Wladimyr Camargos também demonstrou preocupação com o direito concorrencial e lançou o tema aos demais membros do colegiado.

Segundo ele, a abertura à livre concorrência e ao mercado na área de televisionamento dos eventos esportivos também devem ser motivo de atenção da comissão de juristas.