21/07/2014 12h40
Um pouco mais que simplesmente votar
Divulgação – Dora Nunes
Um pouco mais que simplesmente votar
Waldir Guerra*
A Copa acabou e até podemos dar Graças a Deus porque fora dos estádios de futebol nos saímos bem. Agora é deixar a ressaca dos 7 a 1 de lado e nos dedicarmos em consertar o que está errado.
Que tal começar por consertar a nossa CBF? Por que não? Essa entidade privada existe desde quando nos aconteceu o primeiro grande desastre: a derrota para o Uruguai há 64 anos. Hoje a CBF é composta por 47 membros, sendo 20 clubes da série A do nosso futebol e mais 27 federações estaduais. Em 1950 nem sei como era, mas de lá pra cá certamente a corrupção que a permeia só fez crescer. Precisamos ter vergonha na cara, criar mais coragem e remodelar essa coisa.
Como bem diz o jogador Paulo André na Folha de S.Paulo em seu artigo “O gol que pode salvar o futebol” fazendo um apelo sobre a necessidade de se reformar a CBF.
Ele diz que esta entidade de forma quase ditatorial explora um bem público, a Seleção Brasileira de Futebol, da qual arrecada mais de 400 milhões de reais por ano. Mantêm sob seu controle através da intimidação seus 47 membros; além de dificultar a alternância de poder e o acesso de novas pessoas.
Ele apela para o Congresso e também a Presidente para aproveitar este momento em que a “bancada da bola” tenta aprovar a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, LRFE, onde se propõe o parcelamento das dívidas dos clubes de futebol – coisa pra mais de 5 bilhões de reais – e nesta oportunidade impor mandato de quatro anos para os dirigentes da CBF; tornar a entidade mais transparente, com uma visão mais ampla, menos política e mais técnica.
Ele tem toda razão e nós estamos aqui lhe dando força para que essas mudanças comecem já! A hora é esta, o povo quer; façamos já!
E que não seja apenas no futebol. Precisamos acordar para os outros problemas que nos cercam, especialmente na área política e também econômica do nosso país.
Domingo passado li na Folha de São Paulo artigo do economista Henrique Meirelles – aquele que segurou as pontas da economia do Brasil nos oito anos do governo Lula – e transcrevo aqui o que diz no final porque me identifico com sua preocupação que não deve apenas ser somente com o futebol no desastre dos 7 a 1, mas às nossas outras necessidades: “Agora nós temos que nos dedicar de forma séria e sistemática das causas do desastre e a busca de soluções efetivas”.
E concluiu: “Não podemos vacilar na reação a essa crise no futebol, porque senão ela trará ainda mais problemas e ainda mais decepções. Como, aliás, costuma acontecer também nas crises econômicas”.
Ele tem toda razão como experiente economista que é – assim como o jogador de futebol Paulo André – mas como começar? Pensando com calma vejo que o lugar correto seria o Congresso Nacional, até porque através de Medidas Provisórias da Presidência não teriam a credibilidade necessária – a presidente está em campanha à reeleição, impossibilitada agora, inclusive.
O Congresso está em recesso até o final das eleições – também impossibilitado. Puts, que droga!
Seguinte, então: vamos usar essas próximas eleições para colocar no poder pessoas capazes de promover as reformas necessárias. No meu voto confio – e no seu também. Mas vamos fazer um pouco mais do que simplesmente votar; vamos ajudar de uma maneira ou outra os bons candidatos. Nada de abstenção ou voto nulo – lembre-se do mau exemplo na Venezuela.
Se realmente queremos consertar o país precisamos fazer um pouco mais que votar.
*Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. E-mail: [email protected]


