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terça-feira, 18 de agosto, 2026

Conhecida pela revolução no tratamento de hansenianos em MS, Irmã Silvia completa 95 anos

Nascida em 19 de agosto de 1931, em Auronzo di Cadore, no norte da Itália, aprendeu cedo a enfrentar grandes desafios e a olhar para além das montanhas.

Irmã Silvia Vecellio completa 95 anos na quarta-feira (19). Conhecida pela revolução nos caminhos da medicina, da reabilitação física e da assistência social, a religiosa italiana também transformou uma antiga colônia de hansenianos em símbolo de esperança, inclusão e cuidado em Mato Grosso do Sul.

Nascida em 19 de agosto de 1931, em Auronzo di Cadore, no norte da Itália, foi alpinista na juventude e aprendeu cedo a enfrentar grandes desafios e a olhar para além das montanhas. Silvia chegou ao Brasil em setembro de 1959, quando começou a atuar como professora no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Campo Grande.

Professora à frente de seu tempo, Irmã Silvia entendia que educar ia além de ensinar o conteúdo dos livros. Levou o cinema para dentro da sala de aula, estimulou suas alunas a refletir sobre questões filosóficas e sociais e, aos domingos, passou a visitar comunidades periféricas da Capital.

Missão com hansenianos

Em 1964, durante uma visita ao Educandário Getúlio Vargas, crianças teriam mostrado cartas e fotografias de internados em uma instituição pouco conhecida. O local era o Asilo Colônia São Julião, uma antiga colônia de hansenianos localizada, à época, em uma área isolada da cidade.

Lá, Silvia encontrou uma realidade de abandono, com centenas de pessoas em condições precárias, sem assistência médica adequada, medicamentos, alimentação ou o mínimo necessário para uma vida digna. A hanseníase, cercada pelo medo e pelo preconceito, havia transformado aquelas pessoas em invisíveis para grande parte da sociedade.

Comovida com a descoberta, Irmã Silvia decidiu fazer história. Em 1969, após buscar apoio na Itália, trouxe para Campo Grande voluntários da Operação Mato Grosso. Ao lado de religiosos, profissionais, empresários e colaboradores brasileiros e italianos, iniciou uma verdadeira força-tarefa para reconstruir aquele espaço.

Conhecida pela revolução no tratamento de hansenianos em MS, Irmã Silvia completa 95 anos
Em 1964, durante uma visita ao Educandário Getúlio Vargas, crianças teriam mostrado cartas e fotografias de internados em uma instituição pouco conhecida. (Arquivo pessoal)

Acolhimento

No ano seguinte, nasceu a Associação de Auxílio e Recuperação de Hansenianos. Vieram a recuperação da estrutura física, o saneamento, a melhoria da alimentação, o tratamento médico, a escola, a laborterapia e, principalmente, uma nova maneira de olhar para aqueles que, durante décadas, haviam sido tratados como excluídos.

A antiga colônia começou a deixar de ser um lugar de isolamento para se transformar em um espaço de cuidado, reabilitação, educação e reinserção social. Foi nesse processo que nasceu o Hospital São Julião. Ao longo das décadas, a instituição ampliou sua atuação e se tornou referência não apenas no atendimento à hanseníase, mas também em diversas áreas da saúde.

Atualmente, o hospital conta com centro cirúrgico, atendimento à população, escola, centro oftalmológico, estruturas de reabilitação, ações sociais e iniciativas voltadas à educação, à cultura e à inclusão.

Legado vivo

Para o presidente do Hospital São Julião, Carlos Melke, o maior legado de Irmã Silvia não está apenas nas obras que ajudou a construir, mas na forma como ensinou gerações a olhar para o outro.

“Conviver com a Irmã Silvia é aprender todos os dias que cuidar do ser humano vai muito além de tratar uma doença. Ela nos ensina, pelo exemplo, que cada pessoa precisa ser enxergada com amor, respeito e carinho, independentemente da sua condição ou daquilo que a sociedade possa pensar sobre ela. Sua dedicação à vida é algo que não se explica apenas com palavras. Está em cada gesto, em cada pessoa que ela acolheu e em cada história que ajudou a transformar. O São Julião carrega esse ensinamento todos os dias: ninguém deve ser privado de dignidade, esperança e oportunidade de recomeçar”, afirma.

Aos 95 anos, Irmã Silvia permanece como uma referência viva na história do Hospital São Julião. Sua trajetória se confunde com a própria transformação da instituição.

Seu legado também ultrapassou os muros do hospital. Ela ajudou a mudar a maneira como Mato Grosso do Sul passou a enxergar aqueles que antes eram invisíveis.

Conhecida pela revolução no tratamento de hansenianos em MS, Irmã Silvia completa 95 anos
Irmã Silvia permanece como uma referência viva na história do Hospital São Julião. (Arquivo pessoal)

Fonte: Midiamax