17/11/2013 13h10
O cônsul e sua comitiva estão visitando municípios de toda a região para que os membros das comunidades japonesas
Divulgação (TP)
O cônsul geral do Japão em São Paulo, Noriteru Fukushima, fez uma visita de cortesia ao prefeito de Ponta Porã, Ludimar Novais, na manhã deste sábado (16) e afirmou que seu pais (um dos mais ricos do mundo) tem grande interesse em investir nesta fronteira, “aliás tão peculiar e um exemplo internacional de convivência entre dois povos”.
O diplomata japonês foi recebido pelo prefeito na sala de reuniões do gabinete no Paço Municipal. O cônsul se fez acompanhar de assessores, do presidente da Associação Cultural Nipo-Brasileira Sul-Mato-Grossense, Kosuke Ono, do presidente da Associação Nipônica de Amambay, Isao Haramoto, do presidente da Associação Nipo-Brasileira de Ponta Porã, Eduardo Utimura, e de membros das comunidades japonesas de Ponta Porã e de Pedro Juan Caballero.
O presidente da Associação Cultural Nipo-Brasileira Sul-Mato-Grossense, Kosuke Ono, que se pronunciou em japonês, agradeceu as presenças e disse que em função da realização da 12ª Japan Fest, o cônsul e sua comitiva estão visitando municípios de toda a região para que os membros das comunidades japonesas e seus amigos prestigiem o evento.
Já presidente da Associação Nipo-Brasileira de Ponta Porã, Eduardo Utimura, além de agradecer a presença do cônsul, das lideranças nipônicas e do prefeito Ludimar Novais, “que abriu mão do seu descanso deste sábado para recebê-los”, destacou que a reunião deste sábado serviria não só como manifestação de confraternização entre a comunidades japonesa, brasileira e paraguaia, como e principalmente para a abertura de um novo canal de conversação para intercâmbios culturais e econômicos que venham a trazer benefícios comuns.
Por sua vez, o presidente da Associação Nipônica de Amambay, Isao Haramoto, que também falou na sua língua natal, contou um pouco da história do surgimento da comunidade japonesa no Departamento de Amambay, nos idos de 1956, quando – ao contrário do que poderia ter sido suposto de que seria um assentamento do governo japonês – foram convidados por um grande produtor de café, Sr. Johnson, para trabalhar na lavoura.
Com o passar dos anos, cada um foi adquirindo suas próprias terras. Mas, hoje, a grande maioria atua na esfera comercial, restando poucos japoneses na atividade agrícola. De qualquer forma, garantiu que os japoneses e seus dependentes vivem felizes nesta fronteira, construíram uma escola modelo de ensino japonês e têm apenas uma preocupação: cuidar dos idosos.
NOVAS PARCERIAS
O prefeito Ludimar Novais também agradeceu a presença dos visitantes e disse que se sentia honrado em recebê-los. Lembrou que esta fronteira é “sui generis” quando o assunto é a convivência entre dois povos, um lugar onde as culturas se mesclam, onde esta união gera belezas, gera grande potencial produtivo e prova que a miscigenação é um fator positivo para o crescimento cultural, educacional, econômico e de agregação social.
“Aqui temos várias culturas, de inúmeras comunidades mundiais, como a alemã, a árabe, a coreana, a italiana, a japonesa, a brasileira, a paraguaia, enfim, praticamente o mundo inteiro vive aqui e trabalha junto para o progresso de todos”, destacou Ludimar Novais, acrescentando que o convênio efetuado pelo governo anterior com a Comunidade Européia, permitiu a obra de revitalização da linha internacional e a recuperação da bacia do Rio Apa.
Revelando que tem profunda admiração pelo jeito com que os japoneses encaram a viva, mantendo sempre a sua cultura viva, em qualquer parte do mundo, Ludimar disse estar impressionado com o poder de recuperação econômica do Japão, depois de duas grandes catástrofes e que gostaria de celebrar parcerias econômicas e culturais com aquele país, a fim de beneficiar tanto o Brasil, quanto o Japão e o Paraguai.
O cônsul Noriteru Fukushima se disse impressionado com o livre transito das pessoas nesta fronteira “onde a gente pode entrar e sair de um país para o outro, sem passaporte e quantas vezes quiser”. Para ele, “esta fronteira é um exemplo internacional de como os povos do mundo devem conviver entre si, mantendo a paz e auxiliando-se mutuamente”.
Com alguma dificuldade em se pronunciar em Português, ele brincou a disse que falaria a língua local “o portunhol”, quando expressou que o Japão avalia seriamente as riquezas que o Brasil tem e as que ainda pode gerar, o que indica que “o meu país tem grande interesse em investir no Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul.
Lembrou que o Japão passou por sérias dificuldades econômicas, recentemente, em função do tsunami e do terremoto em 2011, mas, orgulhou-se em dizer que hoje o país já apresenta uma retomada na economia, com um crescimento de 3% ao ano.
O cônsul apontou para a realização das Olimpíadas 2020, em Tóquio e que seus compatriotas estão trabalhando muito para receber o mundo inteiro, daqui a 7 anos.
Ao final do encontro, o cônsul Noriteru Fukushima entregou ao prefeito Ludimar Novais uma mini enciclopédia sobre o Japão e recebeu em troca um livro contendo aspectos econômicos, sociais e culturais de Ponta Porã.



