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sábado, 24 de outubro, 2026

Craques do passado inspiram futuras gerações em projeto de futebol feminino no Rio

Em uma tarde inspiradora na Escola Municipal Juan Antonio Samaranch, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, o campo de futebol foi palco de um evento especial: meninas de quatro times disputaram um minitorneio sob o olhar atento de ex-jogadoras da seleção brasileira feminina. A iniciativa faz parte do programa Pioneiras nas Escolas, que busca conectar ídolos históricos do esporte com alunas da rede pública.

Antes da bola rolar, mais de 100 estudantes lotaram o auditório para interagir com Marisa Pires (Caju), Maria Lúcia Lima (Fia) e Marilza Martins (Pelezinha). Elas compartilharam histórias de superação, curiosidades e os desafios enfrentados, como o machismo e o preconceito, em uma época em que o futebol feminino era proibido por lei.

O período de 1941 a 1979 marcou a proibição do futebol para mulheres, com base em um decreto que considerava o esporte incompatível com a natureza feminina. A estudante Nicoly Melo, de 12 anos, expressou surpresa com a restrição: “Por que não podiam?”. A liberação ocorreu em 1979, com a regulamentação apenas em 1983, e a primeira participação em competições internacionais só se deu em 1988.

As ex-jogadoras relataram o preconceito vivido em campo. Fia, hoje com 62 anos, contou que enfrentava o machismo com talento e confiança. “Sempre joguei com menino. Tinha talento. Não queria saber de machismo”, disse. Caju, ex-zagueira, relembrou provocações de torcedores que diziam que “mulher não servia para jogar futebol”, mas ressaltou a força para provar o contrário e o desejo de mostrar que o futebol também é para elas.

Coordenado por Duda Luizelli, ex-jogadora da seleção, o Pioneiras nas Escolas visa incentivar as jovens a acreditarem em seu potencial, com ênfase na importância dos estudos. “O estudo é muito importante porque, mesmo quem for ser atleta, jogadora de futebol, de vôlei, de basquete, terá uma carreira muito curta. Com 38, 39 anos, acabou a nossa carreira e nós temos que dar uma continuidade”, alertou.

A Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro apoia o projeto. A Escola Juan Antonio Samaranch, classificada como Ginásio Experimental Olímpico (GEO), integra o ensino integral com práticas esportivas. A iniciativa se alinha à preparação do Rio de Janeiro para sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027, conforme destacou Caroline Guedes, coordenadora de Projetos Integradores da SME.

Letícia Pereira, aluna do 9º ano, de 15 anos, considera um privilégio a visita das ex-jogadoras. Ela acredita que a experiência em uma escola com foco em esportes reforça a ideia de que o esporte pode oferecer um futuro promissor, e já planeja torcer na próxima Copa do Mundo Feminina.