18/04/2018 06h20
Mineração de criptomoeda era chamariz, mas serviço não era prestado.
Correio do Estado
Empresas mineradoras de criptomoedas, alvos de investigação do Ministério Público Estadual (MPE), prometiam lucros aos investidores, mas os mesmos não recebiam os valores prometidos. Com objetivo de desarticular o esquema fraudulento de pirâmide financeira por meio mineração de criptomoedas, conhecidas como bitcoins, o Grupo de Atuação Especial de Combate Organizado (Gaeco) deflagrou hoje a operação Lucro Fácil.
Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão expedidos pela Vara de Direitos Difusos e Coletivos de Campo Grande, a pedido da Promotoria de Defesa do Consumidor.
Segundo o promotor Luiz Eduardo Lemos de Almeida, investigação começou no fim do ano passado e apontou que vários consumidores não receberam os valores investidos nas empresas, com fortes indícios de pirâmide financeira.
“Na verdade, há um anúncio de mineração que não era feita. A mineração só era alardeada, porém não ocorria de fato. O que ocorria de fato era mesmo a pirâmide financeira. O não pagamento demonstra que essa pirâmide começou a desmoronar e causar lesão nos consumidores”, disse o promotor.
Na operação, foram apreendidos computadores, documentos, agendas, cadernos e materiais de interesse do MPE para a ação civil pública.
“O que nós buscamos é que não haja mais ingresso de nenhum consumidor nessas pirâmides, que as empresas sejam dissolvidas e que haja reparação ao consumidor”, afirmou Lemos.
Para que os investidores não tenham prejuízo, a ação também busa a apreensão de bens e valores das empresas para o ressarcimento dos danos.
“A questão da mineração, criptomoedas, na nossa ótica do Ministério Público é que é algo muito novo, é atrativo para o consumidor e serve muito mais como um chamariz do que como um serviço efetivamente prestado, aliás o serviço não era prestado por parte das empresas”.
Os mandados foram cumpridos, dentre outros locais, nas sedes das empresas Mineworld, Bit Ofertas e Bitpago, na capital sul-mato-grossense e São Paulo, além das residências dos respectivos sócios.


