03/02/2016 16h20
Preso desde novembro, senador diz que filho de Cerveró atuou como “agente infiltrado” ao gravar conversa em que ele sugeriu rota de fuga e ofereceu R$ 50 mil à família de ex-diretor da Petrobras
Congressoemfoco
Os advogados do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) que anule as provas que o levaram à prisão em novembro do ano passado. A defesa do parlamentar quer anular a gravação feita pelo filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró em que o petista é flagrado tentando impedir o executivo de fazer um acordo de delação premiada. O áudio foi feito pelo ator Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da estatal. O pedido foi entregue ontem (2) ao Supremo. A informação foi confirmada ao Congresso em Foco pelo gabinete do petista.
Os defensores de Delcídio alegam que o senador foi vítima de uma “armadilha” e que Bernardo agiu como um “agente infiltrado”, sem ter autorização judicial para fazer a gravação, na qual o parlamentar oferece R$ 50 mil mensais à família de Cerveró e chega a traçar uma rota de fuga, pelo Paraguai, até a Espanha. O ex-diretor da Petrobras está preso desde janeiro de 2015.
A defesa do senador pede ao STF que, caso as provas não sejam anuladas, o tribunal arquive a denúncia apresentada pela PGR. Em dezembro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou Delcídio por impedir e embaraçar a investigação de infrações penais que envolvem organização criminosa (com pena de 3 a 8 anos). O senador e seu chefe de gabinete são acusados ainda de exploração de prestígio (com penas de 1 a 5 anos). Janot defende, ainda, a cassação do mandato do ex-líder do governo no Senado.

