12/03/2016 11h50
Novo trecho de delação premiada feita pelo senador foi revelado por revista
Em novo trecho da delação premiada de Delcídio do Amaral (PT), que ainda não foi homologada pela Justiça, o senador que permaneceu quase 3 meses preso revela desvios da ordem de R$ 45 milhões da construção da usina de Belo Monte para campanhas eleitorais do PT e PMDB, nos anos de 2010 e 2014.
Conforme documento obtido pela revista IstoÉ e revelado na noite de ontem (11), participaram do esquema os ex-ministros da presidente Dilma Rousseff (PT), Erenice Guerra, Antônio Palocci e Silas Rondeau. Juntos, os três foram batizados por Delcídio de “triunvirato”.
A reportagem do jornal Folha de São Paulo confirmou com investigadores que tiveram acesso à delação de Delcídio que realmente houve citações a Erenice, Palocci e Silas. A operação de desvios em Belo Monte teria começado em 2010, ocasião de escolha do consórcio das obras da usina, e continuou, relata a “IstoÉ”, até o início de 2015.
O desvio de dinheiro, de acordo com o senador, veio de obras e compras de equipamentos, por meio de superfaturamentos. Segundo informação atribuída a Delcídio, o esquema começou três dias antes do leilão que decidiu qual consórcio comandaria as obras. Empresas que não participaram da disputa viraram sócias do projeto como prestadoras de serviço. O petista disse que as propinas aumentavam no período eleitoral.
O senador, segundo a reportagem, ainda mencionou o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva. Segundo a revista, Delcídio afirmou ter recebido uma proposta do ministro para quitar uma dívida de R$ 1 milhão de sua campanha eleitoral de 2014, quando disputou o governo do Mato Grosso do Sul. A reportagem confirmou que o ministro foi mesmo citado.
O ministro, de acordo com Delcídio, sugeriu “esquentar” dinheiro do laboratório EMS por meio de Zilmar Fernandes, ex-sócia de Duda Mendonça, e da FSB Comunicações -entretanto, os pagamentos não foram feitos, mas a EMS pagou imposto sobre as transações, disse o petista, de acordo com a revista.
OUTROS LADOS
Edinho Silva, que foi o tesoureiro do comitê petista na última eleição, chamou de “mentira escandalosa” a afirmação de Delcídio.
“Jamais mantive esse diálogo com o senador, jamais mantive sequer contato com as mencionadas empresas, antes ou durante a campanha eleitoral. Isso é facilmente comprovado. As doações para a campanha de Dilma Rousseff em 2014 estão todas declaradas ao TSE, bem como os fornecedores. As contas da campanha eleitoral foram todas aprovadas por unanimidade pelos ministros do TSE”, afirmou.
A defesa da ex-ministra Erenice Guerra, feita pelo advogado Mário de Oliveira Filho, informou que não poderia comentar por não ter tido acesso à colaboração e disse achar “estranho” que a imprensa tenha acesso a isso antes da defesa.
O advogado do ex-ministro Antônio Palocci, José Roberto Batochio, afirmou que as acusações “não têm o menor cabimento porque Palocci nunca teve qualquer envolvimento com Belo Monte” e sustentou que ele “nega veementemente” as informações.
fonte: Folhapress


