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Delegado pede novas quebras de sigilo telefônico do caso Joaquim

25/11/2013 13h50

Declarações e documentos devem esclarecer contradições, diz Castro

G1

O delegado Paulo Henrique Martins de Castro, que chefia a investigação da morte do menino Joaquim Ponte Marques, de 3 anos, em Ribeirão Preto (SP), disse nesta segunda-feira (25) que pedirá a quebra de sigilo telefônico de outras pessoas ligadas à família do garoto. Sem detalhar quem são os envolvidos, Castro explicou que os relatórios são importantes para esclarecer contradições no caso e ajudar a concluir o inquérito.

Até agora, o delegado teve acesso apenas a parte das ligações telefônicas recebidas e realizadas pela mãe do garoto, a psicóloga Natália Ponte, e pelo padrasto, o técnico em TI Guilherme Longo, e por outros dois familiares próximos ao casal, no dia do desaparecimento de Joaquim. Castro disse esperar que o documento final com todos os registros, que foi concedido pela Justiça no dia 12 de novembro, seja entregue à Polícia Civil ainda esta semana.

“São documentos importantes para comprovar quem ligou para quem, em que horário, quanto tempo [durou a ligação], qual momento e até colocar uma pessoa de fora na cena do crime. Até agora, não temos detalhes novos nesse sentido”, disse Castro.

Ainda segundo o delegado, quatro pessoas ligadas à família do garoto devem prestar depoimentos pela primeira vez nesta segunda-feira, entre elas uma amiga de Natália e os dois policiais militares que foram os primeiros a chegar à casa da família, após a PM ser informada sobre sumiço do garoto, na manhã de 5 de novembro. O padrasto de Joaquim é quem teria ligado ao telefone 190, para comunicar o desaparecimento.

Castro afirmou que os novos depoimentos também vão ajudar a polícia a esclarecer contradições nas declarações de Natália e Longo. O casal está preso há 15 dias, desde que o corpo de Joaquim foi encontrado boiando no Rio Pardo, em Barretos (SP), na tarde de 10 de novembro. A Justiça acatou o pedido de prisão temporária dos dois por 30 dias.

Em depoimentos à polícia, Natália descreveu um perfil agressivo do marido, afirmando que ele sentia ciúmes dela e do enteado. A psicóloga contou também que já foi ameaçada de morte por Longo e que ele castigava Joaquim. Sobre a relação do casal, Natália disse que desde janeiro os dois começaram a se desentender e chegaram a ficar um mês separados.

Longo, por outro lado, nega as agressões e ameaças, e diz que não é uma pessoa ciumenta. O padrasto afirma que tinha um bom relacionamento com Joaquim e que era muito carinhoso com o menino. Segundo ele, o casamento começou a ter um desgaste em setembro deste ano, quando Natália descobriu que ele havia voltado a usar cocaína.

O delegado também aguarda que o resultado dos testes toxicológicos feitos nos órgãos e no sangue da criança seja entregue ainda esta semana. O exame foi solicitado porque o laudo inicial apontou que as únicas lesões encontradas na pele foram em decorrência dos dias em que o corpo foi arrastado pelo rio. Além disso, não foi encontrada água nos pulmões de Joaquim, o que indica que não houve morte por afogamento.