30/05/2014 08h50
As investigações já vinham sendo realizadas a um ano, afirmou o delegado
Por: Tião Prado
O delegado de Policia Federal do Rio Grande do Sul, Dr. Fabrício Argenta, em entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira (29) na sede da Delegacia de Policia Federal de Ponta Porã, falou a respeito da operação Suçuarana.
Suçuarana é um dos nomes da onça-parda, mamífero com ampla distribuição geográfica e um exímio predador. A relação vem com o alcance do grupo e sua agilidade em realizar operações de tráfico.
Segundo Dr. Fabrício, essa operação teve inicio em junho do ano passado e está tramitando na Justiça Federal e é uma investigação da Delegacia da Policia Federal do estado do Rio Grande do Sul em conjunto com as unidades de Ponta Porã, Dourados e São Paulo com um intercambio de informações. O objetivo foi de apurar uma organização criminosa que foi identificada nestes estados e se dedicam ao tráfico Internacional de drogas tendo uma célula forte no município de Ponta Porã, que era responsável em adquirir o entorpecente junto a traficantes no Paraguai e daqui de Ponta Porã distribuir para outros estados da federação, entre eles estavam o Rio Grande do Sul, mas também eram levadas algumas cargas para São Paulo, Minas Gerais e até o Rio de Janeiro.
No decorrer desta operação foram efetuados 12 flagrantes que puderam ser vinculados a estes investigados e neste período, houve apreensões de entorpecente, totalizando 1,1 tonelada de cocaína e 3 toneladas de maconha.
“Nesta data foram cumpridos 9 mandados de prisão preventiva, quatro pessoas foram presas no estado do Rio Grande do Sul, 4 pessoas foram presas no Estado de Mato Grosso do Sul, sendo 3 em Ponta Porã e 1 em Dourados. Foram cumpridas 26 buscas em residências e empresas ligadas ao investigados e foram cumpridos 21 mandados de sequestros de 21 imóveis em Ponta Porã, Dourados, Fátima do Sul, em Campo Grande e o restante dos imóveis no Rio Grande do Sul, nas cidades de Porto Alegre , Gramado e região metropolitana”, afirmou o delegado Fabrício.
A respeito de uma garagem que era usada para vender os carros comprados com o dinheiro do tráfico, esta fica na cidade de Porto Alegre e não em Ponta Porã e pertencia ao principal investigado no sul que recebia essa droga. Essa pessoa já havia sido presa pela PF em uma operação que teve também conexão com Ponta Porã em 2010 na ‘operação Maré alta’, estava respondendo em liberdade e voltou a atividade do tráfico, sendo novamente preso na operação desta quinta-feira (29).
O delegado Fabrício Argenta foi questionado pelos jornalistas presentes a respeito dos nomes das pessoas presas, mas ele enfatizou várias vezes que não tem por rotina divulgar nome de pessoas presas. O delegado informou que os presos seriam levados na quinta-feira mesmo para Porto Alegre para responder o processo na justiça federal daquele estado.
O delegado, durante a sua fala, reiterou as informações já divulgadas anteriormente, que durante a ação foram cumpridos mandados de prisão e 26 mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso do Sul, além do sequestro de 21 imóveis e 120 veículos, entre carros, utilitários e caminhões. Mais de 150 policiais federais estiveram envolvidos na ação.
Inicialmente, a cocaína vinha da Bolívia de avião e chegava ao Paraguai, atravessava para o Brasil via terrestre até Ponta Porã, onde existia um laboratório de refino já estourado em 28 de março deste ano no bairro São João. O entorpecente era embalado e transportado para Dourados, seguindo em fundos falsos de caminhões para quatro estados: Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
A principal logística da quadrilha era acondicionar a droga em fundos falsos de caminhões de carga e desta maneira muitas vezes faziam a carga chegar aos seus estados de destinos, ou seja, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
O delegado informou que durante as investigações não apontaram que essa droga que saia da fronteira iria para o PCC em São Paulo; ela ia para clientes já definidos em contatos anteriores.
Alguns integrantes da quadrilha moravam em condomínios de luxo e possuíam carros importados. Em um dos casos, um indivíduo montou uma revenda de veículos para justificar o seu patrimônio. Os presos responderão pelos crimes de Tráfico de Drogas com agravante pela transnacionalidade, Associação por Tráfico, Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro. Se somadas, as penas máximas ultrapassam 33 anos de prisão.





