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domingo, 18 de outubro, 2026

Delegados confirmam, em juízo, que ‘chefe’ de grupo de extermínio é manipulador

25/04/2017 08h40

Crimes no bairro Danúbio Azul deixaram pelo menos 12 vítimas

Correio do Estado

Delegados ouvidos no primeiro dia de audiências no caso dos homicídios cometidos no bairro Danúbio Azul, em Campo Grande, reafirmam que Luiz Alves Martins, o Nando, de 49 anos, não demonstra sinais de problemas mentais.

Nesta segunda-feira foram ouvidos delegados e investigadores de polícia sobre o caso de duas das vítimas, o “Café”, cujo corpo foi o primeiro a ser encontrado, mas ainda não foi identificado, e Lessandro Maldonado de Souza, de 13 anos. As audiências acontecem na 2ª Vara do Tribunal do Júri.

Foram ouvidos o delegado da Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes de Homicídio (DEH), Marcio Obara; e a delegada da Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deaji), Aline Sinnott.

Ambos responderam da mesma forma ao serem questionados sobre como analisam o estado mental de Nando.

Para Obara, ele tem uma mente ardilosa. “Ele manipula muito bem. Tem uma mente de liderança e ameaça deliberadamente, com o olhar ameaça os co-autores”, expressou o delegado.

“Nando é muito inteligente, ele é encantador e manipulador, tem traços de psicopata”, respondeu a delegada Aline ao ser questionada sobre sua impressão.

O interrogatório do próprio Nando ficou marcado para o dia 12 de junho.

VÍTIMAS

O primeiro corpo a ser achado foi de um homem identificado até agora como “Café”. Ele foi morto por causa de dívidas envolvendo o consumo de drogas.

Conforme os policiais, “Café” foi encontrado com uma faca encrava no peito. Além disso, havia uma corda e uma chave de fenda na cova que teria sido cavada por Nando.

O segundo caso foi o de Lessandro, que desencadeou a descoberta dos demais homicídios no bairro. Lessandro foi morto por Talita Regina de Souza, de 21 anos. Ela matou o garoto porque ele teria descoberto o relacionamento dela com um traficante e ameaçou contar o caso para o marido dela.

Nando se considerava “justiceiro” porque matava pessoas que eram consideradas “ruins” para o bairro. A maior parte das vítimas era usuária de drogas, cometia furtos e roubos e se prostituía, inclusive com Nando, para manter o vício.

São pelo menos 12 vítimas que o grupo de extermínio matou. Não é descartado que mais pessoas podem ter sido mortas.

DENÚNCIA

Sete pessoas já foram denunciadas à Justiça pelos crimes de estupro de vulnerável, exploração sexual de crianças e adolescentes, associação criminosa e tráfico de drogas. A 69ª Promotoria de Justiça foi quem ofereceu a denúncia.

Ao todo, a denúncia descreveu 12 fatos criminosos e, caso haja condenação, as penas podem atingir patamar superior a 100 anos de reclusão, a depender da real participação de cada denunciado e conforme o critério de dosimetria de pena a ser usado pelo Judiciário.

Seis denunciados estão presos e o caso corre em segredo de justiça, por isso não foram dados nomes. O único nomeado é o líder do grupo, identificado como Luis Alves Martins Filho, ou Nando, de 49 anos.

Os crimes foram descobertos depois de operação da Polícia Civil desencadeada por conta da morte de Leandro Aparecido Nunes Ferreira, conhecido como Leleco, ocorrida em 2 de setembro do ano passado.

Nando conversa com investigadores em local onde enterrava corpos - Foto: Valdenir Rezende/Correio do Estad