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domingo, 18 de outubro, 2026

Desocupação em favela causa tumulto na zona norte do Rio

11/04/2014 19h30

Cerca de 6.000 famílias ocupavam um terreno vazio da empresa de telefonia, que foi invadido no dia 31 de março

UOL

Policial à paisana sai de seu carro com uma arma na mão para conter um grupo de pessoas que estava na avenida Leopoldo Bulhões, na altura da favela do Jacarezinho, na zona Norte do Rio de Janeiro, na manhã desta sexta-feira (11). A favela fica próxima ao prédio da antiga Telerj (Telecomunicações do Estado do Rio de Janeiro) no Engenho Novo, que tinha sido invadido por cerca de 6 mil pessoas e hoje passou por desocupação de posse, que acabou em confronto com a polícia.

O clima é muito tenso na reintegração de posse, determinada pela Justiça, de um terreno vazio da empresa Oi, no Engenho Novo, na zona norte do Rio de Janeiro. A Polícia Militar, que chegou ao local por volta de 5h da manhã desta sexta-feira (11), entrou em confronto com os ocupantes do local.

Após uma das lideranças dos manifestantes ser presa, o confronto se acirrou. Ocupantes do terreno chegaram a jogar um coquetel molotov em direção aos militares, e a polícia reagiu imediatamente. Homens do Batalhão de Choque usadas bombas de gás lacrimogêneo e outras armas não letais a fim de dispersar a multidão.

Segundo a PM, pelo menos 21 pessoas foram detidas. A corporação disponibilizou um ônibus para fazer o transporte dos presos. Mais cedo, um repórter do jornal “O Globo” recebeu voz de prisão quando trabalhava na cobertura da desocupação. Segundo “O Globo”, o jornalista foi preso por fotografar a ação dos policiais militares. Ele teve o celular quebrado.

Os moradores da “favela da Telerj”, como vinha sendo chamada a ocupação, começaram a atear fogo em um dos edifícios que compõem o espaço. Os ocupantes também queimaram um carro da PM, quatro ônibus e dois caminhões, de acordo com o Corpo de Bombeiros.

Uma moradora afirmou à reportagem do UOL que três crianças haviam morrido durante a ação da Polícia Militar, mas a informação foi negada pela corporação. O Corpo de Bombeiros também informou não ter encontrado vítimas fatais durante o trabalho de atendimento a feridos.

Os militares informaram que foram socorridos quatro adultos e três menores –um adolescente de 13 anos, uma criança de nove anos (por inalação de gás) e uma de seis meses. A de nove anos foi liberada no local. Já o bebê, cujo motivo do atendimento não foi informado, foi encaminhado para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro, a exemplo de três dos quatro adultos feridos. Em relação aos demais, não foram divulgados mais detalhes.

Com a confusão, os ocupantes correram pelas ruas do bairro e deixaram um rastro de destruição pelo caminho. Três agências bancárias foram depredadas nos arredores do Engenho Novo. Além dos vários focos de incêndio, um veículo de uma emissora de TV foi apedrejado. Cerca de 1.000 pessoas ainda estão no entorno do prédio, resistindo à reintegração.

Um dos moradores, identificado apenas como Maycon, foi ferido durante a ação da polícia com um tiro de bala de borracha no rosto. Cinco policiais militares foram feridos, informou a assessoria da corporação.

Uma moradora do Engenho Novo entrevistada pela “Globo News” afirmou que o comércio está todo fechado no entorno do prédio da Oi. Os moradores teriam sido orientados pela PM a ficar em casa, segundo ela.

Policiais se posicionaram em todas as esquinas da rua Dois de Maio, em frente à ocupação, para impedir que manifestantes bloqueiem a via. Pelo menos 60 homens e 16 carros do Corpo de Bombeiros estão no local para apagar os focos de incêndio.

Segundo o governo do Estado, 1.600 policiais militares foram designados para a ação de cumprimento de reintegração de posse, da qual participaram ainda 40 oficiais de Justiça. As ordens judiciais foram expedidas pela juíza da 6ª Vara Cível do Fórum Regional do Méier, responsável pela região do Engenho Novo.

Policial à paisana sai de seu carro com uma arma na mão para conter um grupo de pessoas que estava na avenida Leopoldo Bulhões, na altura da favela do Jacarezinho,Foto:Bruno Gonzalez / Agência O Globo

A foto mostra como era o local antes da ocupação e agora depois que 56 mil famílias ocuparam o local.