Em um deles, marido foi preso suspeito de jogar vítima do 3º andar de prédio.
08/08/2018 07h20 – G1
O policial militar Epaminondas Silva Santos, de 51 anos, assassinou a tiros a mulher Adriana Castro Rosa Santos, de 40 anos, na manhã desta terça-feira (7), na região do Riacho Fundo II, no Distrito Federal.
O crime ocorreu por volta das 10h, no dia em que a Lei Maria da Penha completa 12 anos. Em menos de dois dias, três casos foram registrados como feminicídio no DF (veja detalhes abaixo).
Segundo a polícia, Santos chegou ao local em uma motocicleta, chamou a mulher no portão e, quando ela saiu, atirou. Em seguida, o PM se suicidou. O casal tinha dois filhos, um menino de 11 anos e uma menina, de 7.
De acordo com depoimentos prestados à Polícia Civil, o casal estava em vias de se separar, mas o militar não aceitava o término. Epaminondas Silva Santos trabalhava no 8º Batalhão da PM, em Ceilândia Norte.
Em nota, a Polícia Militar afirmou que “lamenta imensamente o fato”. “O trabalho diário dos policiais militares nas ruas do DF visa, entre outras coisas, evitar esse tipo de crime. A PMDF se solidariza com os familiares e está a disposição para auxiliar no que for necessário”, apontou o comunicado.
Sequência de mortes
Menos de 24 horas antes do caso de Adriana, uma outra moradora do DF morreu em circunstâncias que apontam para o crime de feminicídio. A Polícia Civil investiga se Carla Graziele Rodrigues Zandoná, de 37 anos, foi atirada da janela do apartamento onde morava, na 415 Sul.
O marido dela, que morava no mesmo imóvel, foi preso como principal suspeito do caso. Carla chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.
O aposentado de 75 anos que dividia apartamento com o casal afirmou à Polícia Civil, em depoimento, que Jonas Zandoná tentou estrangular a mulher na noite de domingo (5).
Em janeiro de 2017, o homem já tinha sido preso em razão das agressões contra ela. Em audiência de custódia, nesta terça-feira (7), o juiz Aragonê Nunes Fernandes determinou a prisão preventiva de Jonas.
“Todo esse cenário evidencia uma escalada criminosa, que resultou na triste morte da vítima.”
Mais um caso
A sucessão de casos de feminicídio começou na noite de domingo. O taxista Edilson Januário de Souto, de 61 anos, é apontado como o principal suspeito de matar a mulher, Marília Jane de Sousa Silva, de 58 anos, a tiros.
O crime aconteceu na garagem da casa onde eles moravam, na quadra 405 do Recanto das Emas. Segundo as investigações, o homem passou o dia bebendo e, ao chegar em casa, disparou quatro vezes contra Marília.
“Ele a puxou para dentro de casa e, de maneira muito fria, a colocou na garagem de casa. Depois, tirou o carro dele [um táxi], colocou o carro dela, fechou a casa, deixou os telefones celulares no local e empreendeu a fuga”, afirmou o delegado Sérgio Bautzer.
Nesta terça, passados quase dois dias do crime, Edilson Januário se entregou à Polícia Civil. Ele chegou à delegacia acompanhado do advogado, mas permaneceu calado. A defesa afirmou que o homem suspeito irá se pronunciar apenas na Justiça.
Lei Maria da Penha
A Lei Maria da Penha tornou crime a violência doméstica e familiar contra a mulher em 7 de agosto de 2006. O nome foi dado em homenagem à farmacêutica Maria da Penha Fernandes.
Em 1982, o marido de Maria tentou assassiná-la duas vezes. Na primeira, ela levou um tiro nas costas e ficou paralítica.
Apesar do crime, o julgamento contra o ex-marido transcorreu lentamente. Em 1998, a farmacêutica denunciou o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos.
O Brasil foi condenado e, a partir disso, seguiu a recomendação da Corte para criar uma legislação destinada à prevenção e punição da violência doméstica.




