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quinta-feira, 6 de agosto, 2026

Dia Nacional dos Profissionais da Educação: parceria entre famílias e educadores fortalece aprendizado e desenvolvimento socioemocional dos estudantes

Especialista do programa de educação socioemocional Líder em Mim explica como a comunicação entre escola e responsáveis contribui para a aprendizagem, a disciplina e o bem-estar emocional de crianças e adolescentes

No dia 6 de agosto é celebrado o Dia Nacional dos Profissionais da Educação, data instituída pela Lei nº 13.054/2014 para reconhecer a contribuição de todos os profissionais que atuam no ambiente escolar para a formação das novas gerações. Mais do que homenagear esses profissionais, a ocasião também convida à reflexão sobre um fator decisivo para o desenvolvimento de crianças e adolescentes: a parceria entre escola e família.

Embora cada um tenha responsabilidades distintas, educadores e responsáveis compartilham um mesmo objetivo: promover o desenvolvimento integral dos estudantes. Quando trabalham de forma alinhada, criam um ambiente mais favorável para a aprendizagem, fortalecem competências socioemocionais e oferecem mais segurança para que crianças e jovens enfrentem os desafios da vida escolar.

Segundo Leo Gonçalves, assessor pedagógico do programa de educação socioemocional Líder em Mim[JJ1] , a escola reúne conhecimentos pedagógicos fundamentais para o processo de aprendizagem, enquanto a família conhece profundamente a história, os valores, os talentos e as necessidades da criança. “O desenvolvimento integral acontece quando esses dois conhecimentos se encontram. Gosto de comparar essa relação a dois remadores em um barco: se cada um rema para um lado, o barco gira em círculos. Quando ambos seguem na mesma direção, o avanço acontece”, explica.

Apesar dos benefícios dessa parceria, construir uma relação de confiança ainda é um desafio em muitas escolas. Entre os principais obstáculos estão crenças de que educar é responsabilidade exclusiva da escola ou, em sentido contrário, de que cabe apenas às famílias resolver determinadas questões comportamentais.

“Enquanto escola e família esperam que a outra parte faça sua parte, quem perde é a criança. Outro erro comum é procurar os responsáveis apenas quando existe um problema. A comunicação acaba sendo associada a conflitos, quando deveria também servir para compartilhar conquistas e fortalecer vínculos”, afirma.

Comunicação fortalece aprendizagem e comportamento

Manter um diálogo frequente e transparente também gera impactos positivos no comportamento e no desempenho dos estudantes. Para Gonçalves, quando crianças e adolescentes percebem que escola e família caminham juntas, desenvolvem maior segurança emocional e passam a compreender que existem adultos comprometidos com seu desenvolvimento.

“Essa parceria transmite uma mensagem muito poderosa para o estudante: ‘existem adultos que trabalham juntos porque acreditam em mim’. Isso fortalece o vínculo com a escola, reduz comportamentos de oposição e aumenta o compromisso com a aprendizagem.”

Pequenos gestos fazem diferença nesse processo. Um exemplo é quando a escola entra em contato com a família para compartilhar uma conquista do aluno, e não apenas dificuldades. “Uma ligação de dois minutos para contar que um estudante ajudou espontaneamente um colega pode transformar completamente a relação entre família e escola. Esse reconhecimento cria uma confiança que fará diferença quando for necessário conversar sobre algum desafio”, destaca o assessor pedagógico.

Cada um tem um papel na educação

Fortalecer a parceria entre família e escola não significa que os responsáveis devam interferir nas decisões pedagógicas ou substituir o trabalho do professor. Pelo contrário: o sucesso da colaboração depende justamente da clareza sobre o papel de cada um.

“A família contribui criando uma rotina de estudos, incentivando a leitura, acompanhando metas e fortalecendo valores como responsabilidade e autoconfiança. Já o professor lidera o processo pedagógico. Quando cada um compreende seu papel, quem ganha é o estudante”, explica o assessor.

Essa atuação conjunta também é essencial para o desenvolvimento das competências socioemocionais, cada vez mais valorizadas na formação de crianças e adolescentes. “Além da aprendizagem acadêmica, os jovens precisam desenvolver empatia, responsabilidade, autorregulação, perseverança e capacidade de resolver conflitos. Essas competências não podem ser ensinadas apenas durante o horário escolar. Quando escola e família utilizam uma linguagem semelhante e reforçam os mesmos valores, o aprendizado se torna muito mais consistente.”

Como fortalecer essa parceria?

De acordo com o especialista do Líder em Mim, uma escola do século XXI não se destaca apenas pela excelência acadêmica. Ela também é capaz de formar uma verdadeira comunidade educativa. “Quando professores, gestores, famílias e estudantes deixam de atuar como grupos separados e passam a trabalhar como uma equipe, a educação realmente transforma vidas.”

Visando auxiliar na construção de uma relação de confiança entre famílias e educadores, Leo Gonçalves destaca algumas atitudes que podem ser adotadas ao longo de todo o ano letivo:

·        deixar de lado a ideia de que escola e família estão em lados opostos e entender que ambas fazem parte da mesma equipe;

·        manter contato frequente, e não apenas diante de dificuldades;

·        ouvir e compreender a realidade de cada família;

·        reconhecer e compartilhar pequenas conquistas dos estudantes;

·        estabelecer expectativas claras sobre o papel de cada um;

·        cultivar uma comunicação constante para fortalecer os vínculos ao longo do tempo.

Fonte: Ana Paula Brunatti